Confirmando nossa vocação e eleição: O conhecimento | 2 Pedro 1:5-6

“[...] por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio” | 2 Pedro 1:5-6

Última revisão: 29 de julho de 2026.

Introdução

Chegamos à quarta parte do nosso estudo Confirmando nossa vocação e eleição. Neste estudo, nosso objetivo é confirmar a nossa vida cristã e nos preparar para o maior evento da história: o arrebatamento da Igreja.

Como vimos recentemente no texto O iminente arrebatamento do filho varão, somente serão arrebatados aqueles que vencerem o bom combate e estiverem preparados quando Jesus voltar. Por isso, confirmar nossa vocação e eleição é a atitude mais importante em nossa era, para tentar, de alguma forma, garantir amplamente a nossa entrada no Reino eterno do nosso Rei Jesus.

Andar assim fará com que estejamos diante de Deus e do Cordeiro naquele Dia maravilhoso, tendo parte na primeira ressurreição. Porque:

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele os mil anos” | Apocalipse 20:6

Como temos visto, este estudo demonstra a bondade de Deus para conosco, porque se desenvolve em partes claras, para que possamos crescer na graça, a fim de sermos aperfeiçoados até o Dia de Cristo.

Na parte anterior, vimos o papel fundamental da virtude. Hoje, falaremos sobre o conhecimento, sua relação com a virtude e o domínio próprio e como devemos crescer nesta virtude.

Caso não tenha lido as primeiras partes deste estudo, comece pela introdução: A diligência.

O conhecimento

“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” | Filipenses 3:8

Mas o que seria este conhecimento citado pelo apóstolo? A palavra grega utilizada tanto neste texto de Filipenses quanto no trecho da segunda carta de Pedro é gnosis. Esta palavra significa inteligência, ciência ou entendimento sobre a vida cristã.

Não se trata de algum dom espiritual que nos conduza a este conhecimento, apesar de todo conhecimento sobre Cristo e sobre o caminho de nossa salvação somente poder ser concedido por Deus. Mas, neste caso, o conhecimento possui um aspecto científico e objetivo sobre o nosso caminho e sobre a sã doutrina que nos conduz à nossa completa salvação.

Recentemente, postamos um texto sobre a sã doutrina. Nele, percebemos, primeiramente, que a própria Palavra nos indica que existe uma doutrina sadia: a sã doutrina. Isso implica muitas coisas para a nossa vida, porque vivemos um tempo em que existe muita divisão e discussão no meio teológico sobre inúmeros temas.

Cada denominação tenta provar que sua visão está correta em detrimento de muitas outras. A verdade é que, se não nos despojarmos da nossa visão subjetiva para ganhar a Palavra de Cristo em sua totalidade e plenitude, de forma alguma chegaremos ao pleno conhecimento da Verdade.

A forma de trilhar este caminho de maneira sadia e verdadeira é deixar de lado qualquer subjetividade, interesse, opinião e todo orgulho humano. Se queremos ser aprovados por Deus, é necessária humildade para aprender com quem quer que seja sobre o único Caminho do cristão: Jesus.

Ele é o Caminho perfeito que nos conduz em vitória. Por isso, Paulo considera tudo como perda diante da sublimidade do conhecimento de Cristo. Ele é o nosso Caminho derradeiro para a salvação da nossa alma. Somente Ele, por meio de Suas palavras e também das palavras de Seus apóstolos, pode nos indicar este santo Caminho.

Para ganhar o conhecimento de Cristo, precisamos nos despojar de nós mesmos. Sem humildade, nunca alcançaremos a sabedoria divina necessária para trilhar o caminho da nossa salvação.

É disso que trata este conhecimento: conhecer todos os meandros da sã doutrina, para que, no fim da nossa carreira, sejamos achados dignos de participar das Bodas do Cordeiro. Ter o conhecimento completo, para que a nossa vida não seja infrutífera em Deus e para que não venhamos a nos desviar nem para a direita nem para a esquerda.

Associar com a virtude o conhecimento

“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta a fragrância do Seu conhecimento em todos os lugares” | 2 Coríntios 2:14

A primeira relação que encontramos com o conhecimento é a virtude. No texto, inclusive, a virtude é citada antes do conhecimento, e isso, por si só, já nos indica um aspecto importante em relação ao caminho da confirmação da nossa vocação e eleição.

O perigo do academicismo

Muitas pessoas consideram que, se não conhecerem profundamente um tema, não será possível praticá-lo em sua vida. Porém, este princípio não deve ser aplicado à caminhada cristã.

Em nossa caminhada, o fundamento inicial é a fé. Dela devem jorrar as nossas virtudes, que, como vimos no estudo anterior, também são as boas obras. Isso significa que o cristão não precisa, necessariamente, conhecer um tema para praticá-lo. Basta ter fé.

O trecho da segunda carta de Pedro fala que devemos associar o conhecimento à virtude, e não o contrário. Ou seja, na vida cristã, nossas ações devem preceder nosso conhecimento.

Este aspecto implica muitas coisas e nos mostra que nosso academicismo teológico não faz bem para a confirmação da nossa vocação e eleição. Deus deseja ter filhos frutíferos em toda boa obra, e não professores de teologia.

Essa fé operosa é citada por Paulo na primeira carta aos Tessalonicenses como uma das características que comprovavam a eleição daqueles irmãos. Igualmente, em nosso tempo, nossa eleição será confirmada quando nossa fé for operosa. E isso não se baseia no conhecimento prévio.

A fé operosa e o conhecimento

Uma vez que temos uma fé operosa, podemos avançar para o conhecimento. A prática fará com que cresçamos no conhecimento de Cristo.

Ao final da carta, Pedro diz aos irmãos:

“[...] cresçam na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” | 2 Pedro 3:18

O caminhar santo para a confirmação da nossa vocação e eleição deve ser crescente. Imagine que você esteja subindo uma montanha muito íngreme. No alto está o prêmio da nossa vocação, e Jesus logo virá.

Você ficará estudando formas de subir a montanha ou subirá apressadamente, da forma como conseguir? Para subir a montanha, precisamos unicamente da nossa fé. O conhecimento será uma das consequências do nosso caminho.

Mas há outro aspecto interessante. Estas características não foram dispostas de forma aleatória, mas de maneira organizada, para nos mostrar que o conhecimento também deve enriquecer as boas obras geradas pela nossa fé.

Se temos esta fé operosa, quanto mais conhecimento tivermos, maiores serão as nossas obras. E, quanto mais operarmos nossa fé por meio deste conhecimento, mais poderemos manifestar a fragrância do conhecimento de Cristo por meio da nossa vida.

Assim, uma vez que aplicarmos a operosidade da nossa fé ao conhecimento, ele irá impulsionar ainda mais nosso crescimento em Deus.

Veja este estudo, por exemplo. Conhecer estas coisas poderá auxiliar sua vida com Deus, fazendo com que você não seja infrutífero em seu caminhar. É o conhecimento gerando boas obras em nossa vida.

O pleno conhecimento

“[...] graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor” | 2 Pedro 1:2
“Faço isto para que o coração deles seja consolado e para que eles, vinculados em amor, tenham toda a riqueza da plena convicção do entendimento, para conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo, em quem estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” | Colossenses 2:2-3

Existe, ainda, outro tipo de conhecimento descrito tanto na segunda carta de Pedro quanto em diversos outros pontos do Novo Testamento. A tradução para o português normalmente traz a expressão “pleno conhecimento”.

A palavra utilizada no grego é epignosis, e seu significado literal é conhecimento correto e preciso. Este conhecimento é sobre Deus e Jesus, nosso Senhor. Também se trata do conhecimento do Caminho da justiça, o único Caminho do cristão, que também é Cristo.

É interessante falar sobre isso, porque nos indica que este conhecimento que iremos adquirir durante nossa peregrinação neste mundo deve atingir um patamar completo e pleno.

Ou seja, o conhecimento do Caminho da justiça, apesar de profundo e riquíssimo, deve preencher nossa mente de tal forma que possamos compreender:

“[...] com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” | Efésios 3:18

O Senhor deseja que sejamos enriquecidos em conhecimento de tal forma que o Caminho da justiça seja amplamente conhecido por todos os santos.

Este trecho de Efésios também nos indica outra característica notável: devemos compreender este Caminho com todos os santos.

Quando iniciei os estudos sobre a confirmação da nossa vocação e eleição, considerei, erroneamente, que este seria um caminho solitário. Entretanto, uma das bases do conhecimento de Cristo é Sua multiforme sabedoria, que é revelada na Igreja.

Ninguém possui todo o entendimento. Por isso, precisamos de todos os santos para caminhar em unidade, crescendo na graça e na revelação do Caminho da justiça, aprendendo humilde e conjuntamente com todos os santos sobre esta graça maravilhosa.

Associar com o conhecimento o domínio próprio

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” | Gálatas 5:22-25

A segunda relação que vemos neste texto da segunda carta de Pedro é a correlação entre o conhecimento e o domínio próprio. E o entendimento desta relação não é muito difícil.

Isso porque, uma vez que crescemos em conhecimento, naturalmente cresceremos na graça de Deus, e isso nos ensinará, na prática, a dominar todo o nosso corpo.

O domínio próprio também é um fruto do Espírito. À medida que crescemos nas virtudes cristãs, que não se resumem às nossas ações, também cresceremos em santificação, vivendo no Espírito e mortificando as obras da nossa carne.

O resultado prático é o domínio próprio, gerado pelo Espírito de Cristo, que é o nosso Caminho.

Nem inativos nem infrutuosos

“Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” | 2 Pedro 1:8

Crescer em conhecimento fará com que sejamos plenos no Senhor Jesus Cristo. O resultado deste caminhar é que não seremos, de forma alguma, inativos ou infrutuosos.

A boa árvore é conhecida por seus frutos. Se andamos segundo as palavras de Jesus, naturalmente também praticaremos as obras do nosso Rei.

Veja que o aspecto prático do Caminho da justiça é perene e constante. O objetivo do nosso crescimento é que sejamos, em nosso próprio corpo, a Luz do mundo que ilumina as trevas, revela o bom aroma do conhecimento de Jesus ao mundo e manifesta o mistério do Reino eterno a este mundo, a saber: Cristo Jesus, o único Caminho para o Pai.

Que nós, com todos os santos, sejamos revestidos da incorruptibilidade e do novo homem, criado em Deus para as boas obras.

Nele temos a redenção, arraigados na fé operosa e crescendo no conhecimento Dele. Que espalhemos neste mundo as insondáveis riquezas de Seu conhecimento e a fragrância de Sua sabedoria, que se fizeram conhecidas nos últimos dias por amor de Si mesmo.

Que, por meio da Igreja, a glória eterna do Deus invisível seja manifestada a este mundo para a salvação de todo aquele que crê.

Esta é a tão grande salvação sobre a qual os profetas inquiriram durante milênios, procurando conhecer a salvação que havia sido separada para aqueles que um dia seriam alcançados pela mão do nosso Senhor, para a manifestação completa, perfeita e plena de Seu Ser.

Sendo igualados a Cristo Jesus, para que sejamos para o louvor de Sua glória, nós, os que esperamos a revelação final de Sua obra no grande e majestoso Dia do Senhor, que logo se aproxima.

Àquele que Se assenta no Trono e ao Cordeiro pertence a salvação!

A Igreja exalta o nome do nosso Deus e de Cristo, nosso Rei, o Primogênito dos mortos, o Soberano dos reis da terra e a expressão exata do Deus invisível.

Sejamos para a glória do nosso Deus em nossa vida, crescendo em conhecimento para a manifestação de Sua obra até Sua vinda.

Sê exaltado, meu Pai! Tu, a quem Jesus revelou e ainda revela por meio do conhecimento insondável concedido aos Teus pequeninos.

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