Armadura de Deus: O Evangelho da Paz (Efésios 6:15)

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“Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” Efésios 6:15.

 Introdução 

Dos itens da armadura este é o que, pelo que tenho observado, causa maior confusão. Já ouvi muitas coisas sobre esses calçados, mas nenhuma delas foram muito acuradas. Devemos entender de forma sã o que, de fato, Paulo quis nos dizer ao mencionar este item pois de forma alguma sua situação entre os itens da armadura é vã.

Uma palavra que logo chama à atenção é a palavra “preparação”. Ela, na verdade, é a chave para a compreensão deste pequeno versículo. Ela vem carregada de sentido nesta frase. Outro ponto que percebemos é o evangelho da paz. É interessante e muito significativo que este evangelho seja o evangelho da paz. Poderia ser o evangelho do Reino, Evangelho de Deus, mas é o evangelho da paz.

 O Evangelho da paz 

 Antes de Jesus 

Para entender do que se trata o evangelho da paz nós temos que entender bem a nossa situação antes da morte e ressurreição de Jesus. Efésios nos diz: “Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas, naquele tempo, estáveis sem Cristo, (...) não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Efésios 2:11-12). Antes do sacrifício de Jesus nós não fazíamos parte das promessas. Na outra aliança nós estávamos separados de Deus, não tínhamos a possibilidade de nos achegar a Ele, pois Cristo não havia ainda vindo ao mundo. Toda a vida cristã, o evangelho e a obra de Jesus não existiam até então. Era essa a nossa situação, éramos gentios na carne, incircuncisos e separados da promessa de Deus. De acordo com a lei de Deus era impossível que fossemos salvos, salvo casos raríssimos, que já indicavam a salvação que estava por se manifestar ao mundo inteiro.

 A inimizade 

Uma das coisas com as quais Deus sempre foi zeloso foi com a linhagem de Israel. Deus não admitia que Israel se misturasse com outros povos. Existe um exemplo muito interessante em Números 25. Na ocasião Israel começou a se prostituir com as moabitas e estas os levaram a sacrificar aos seus deuses pagãos. Por isso Deus fez morrer vinte e quatro mil pessoas, até que Finéias atravessou um israelita e uma moabita. Mas o que isso tem a ver com o evangelho da paz? Isso nos mostra que todos os povos do mundo, antes de Cristo, eram inimigos de Israel. Havia inimizade entre Israel e os povos do mundo por causa do zelo do Senhor: “[...] naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa [...]” (Efésios 2:12). Até Jesus a promessa se focava na nação de Israel, pois ainda que muitos profetas já houvessem proferido a palavra de salvação para todos os povos, isso ainda não havia se cumprido. Igualmente, existia inimizade entre nós, os gentios na carne, e Deus por causa do pecado. O pecado sempre afastou as pessoas de Deus.

 A reconciliação 

Mas veio Jesus e padeceu pelos nossos pecados morrendo em nosso lugar, “o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pedro 3:18). O primeiro objetivo de Jesus com seu sacrifício, antes de todas as coisas, foi de nos levar de volta para Deus. Jesus nos reconciliou com Deus a fim de que fosse estabelecida a concórdia e a paz fosse firmada para que nós pudéssemos agora, através do sangue precioso de Cristo, ser aceitos na presença de Deus Pai. E não somente ser aceitos diante Dele, mas Jesus reconciliou “consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus. E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Colossenses 1:20-22). Glória a Deus! Além de sermos aceitos em Sua presença somos inculpáveis e irrepreensíveis!

E não somente isso, mas Cristo reconciliou a nossa comunhão com a comunidade de Israel, e nos uniu em um só corpo: “ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade, aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” (Efésios 2:14-16). E ainda: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações” (Colossenses 3:15). Isso significa que não mais estamos separados da assembléia dos remidos de Deus, como outrora estávamos, mas agora fomos unidos em um só corpo. Assim tanto os judeus que estavam 'perto', quanto nós que estávamos 'longe', fomos unidos pelo sacrifício do Senhor Jesus. O Senhor aboliu a lei dos mandamentos fazendo um novo Adão e uma Nova Aliança e estabeleceu a paz entre homens e paz entre os homens e Deus.

E o grande mistério, há muito revelado aos profetas e que agora a todos é manifesto, ou seja que em Cristo, nós gentios na carne, somos feitos herança, co-participantes da graça de Deus e co-herdeiros de um Reino que há de ser manifesto. E cumpre-se assim, a promessa de Deus à Abraão que diz: “em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 28:14).

 O ministério da reconciliação 

Mas essa realidade não é apenas para o nosso próprio deleite e gozo. Nós devemos levar a mensagem de paz e reconciliação àqueles que a buscam. Muitos não sabem que hoje nós temos acesso ao Pai, mesmo muitos que já se converteram e que reúnem em grupos cristãos. Mas 2 Coríntios 5:18 nos diz que Deus “nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação”. Isso significa que no momento em que entendemos a mensagem da paz e servimos o Senhor Jesus devemos também levar a mensagem da reconciliação ao mundo, revelar-lhes que não mais os seus pecados lhes são imputados, conforme mencionado na sequencia de Coríntios 5:19: “[...] a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”.
O mesmo texto continua dizendo que somos embaixadores de Cristo, como se Deus exortasse o mundo por nosso intermédio. Os embaixadores vivem em outros países, estranhos à sua nação natal, cuidando dos interesses da sua nação. Devemos caminhar dessa forma. Somos embaixadores da pátria celestial, embaixadores de Cristo Jesus em meio à devassidão e ao pecado. Devemos bradar a voz da razão do Senhor e da paz com o mundo, para que seja salvo.

 A Preparação 

Agora sim, entendendo o significado do evangelho da paz, podemos prosseguir e compreender o que significa essa “preparação”. A preparação aqui é uma palavra muito significativa e que dá intenção de uma obra prévia a batalha que enfrentaremos. É como se Paulo dissesse para nos prepararmos para a batalha com o evangelho da paz. E mais, essa preparação tem três aspectos principais: a estabilidade de firmes pés, a presteza e a prontidão.

 A estabilidade de firmes pés 

O primeiro aspecto da preparação é a “estabilidade de firmes pés”. O que o texto quer dizer com isso é que uma vez firmados na palavra do Senhor, na realidade prática da reconciliação, nós podemos ter a estabilidade e a firmeza para permanecer contra os ataques do diabo. E isso não é algo novo nem mesmo uma realidade nova. O Senhor Jesus mencionou uma parábola a esse respeito no evangelho de Mateus, dizendo: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mateus 7:24-27).

Essa é uma palavra bem conhecida e difundida no meio cristão. É muito interessante esse exemplo de Jesus. Aqui existem duas construções. A primeira se baseia na rocha e a segunda na areia. Jesus nos diz que aquele que edificar a sua casa sobre a rocha prevalecerá sobre todas as intempéries que virão contra essa casa, mas aquele que edificar sobre a areia padecerá e a sua casa será derrubada. Aqui as casas tipificam as nossas vidas e as intempéries tipificam a nossa luta contra as forças do mal. Nós temos a opção racional de edificar nossa vida na rocha ou na areia, entretanto não temos opção em relação ao resultado daquilo que edificarmos. Edificar sobre a areia é edificar sobre tudo aquilo que eu acho verdade ou que eu considero verdade, não sendo. Quando edificamos a nossa vida sobre a nossa opinião edificamos para a nossa própria destruição. Por outro lado a rocha é Jesus, o verbo vivo, a palavra revelada através do Espírito Santo. O Senhor pôs “em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado” (1 Pedro 2:6). Ele próprio é a nossa rocha. A pedra angular de esquina sobre a qual edificamos a nossa casa e onde devemos firmar os nossos pés.

Esse exemplo de Jesus é muito significativo quando pensamos nestes calçados da paz. Baseados nessa palavra podemos dizer que, através da reconciliação, podemos nos firmar na rocha de Jesus para nos manter firmes contra as ciladas do diabo. O evangelho da paz é a solução que faltava contra os ataques do diabo. Se basearmos nossa vida na vida de reconciliação certamente teremos vitória perpétua nessa batalha.

Mas como faremos isso na prática? Isaías responde essa pergunta: “Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. Confiai no SENHOR perpetuamente, porque o SENHOR Deus é uma rocha eterna” (Isaías 26:3-4). Esse texto é riquíssimo! Aqui vemos que Deus conservará em perfeita paz aquele que confia em Deus. A saída para alcançar essa paz é a confiança plena em Deus. Essa confiança, por sua vez, não é simplesmente confiar despreocupadamente. Essa confiança dá a ideia de comprometimento real com o Senhor, de se inclinar para Ele e de colocar nele as esperanças.

Um dos grandes problemas nesse sentido é que nós não permitimos que Cristo seja a nossa rocha verdadeira. Quanto de nossas vidas nós baseamos em nós mesmo ou naquilo que afirmamos estar certo!? Ao passo que o Senhor nos diz: “Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Provérbios 3:5-6). Quantas vezes nós nos estribamos no nosso próprio entendimento? Quantas vezes supomos saber mais do que o Deus vivo? Quantas vezes nos enchemos de vanglória e de orgulho? Em quem, de fato, colocamos a nossa esperança? Em Cristo? Ou em nós mesmos? Seja sincero consigo mesmo e encontre a resposta em sua consciência O problema não é perceber sua falha, o problema é permanecer no erro mesmo depois de havê-lo percebido.

 A presteza 

Essa presteza em relação a preparação é no sentido de ter a mobilidade necessária para batalhar. Estamos tratando de um calçado aqui. E este calçado deve facilitar a nossa mobilidade no campo de batalha. Se um soldado usar um calçado que dificulte sua mobilidade ele será presa fácil para o inimigo e certamente não conseguirá alcançá-lo caso este esteja em fuga. Assim é também conosco. A paz é o que nos permite mover com intrepidez nas regiões celestes contra o diabo e diante de Deus, em Sua santa presença. É uma declaração para todos os seres espirituais, o atestado da nossa vitória. É um selo que permite que nós nos movamos com intrepidez e agilidade, sem medos nem preocupações.

É isso que o salmista tenta nos dizer ao falar sobre os “pés como os da corça” (Habacuque 3:19). Eu nunca entendi porque tantas vezes a palavra menciona os pés da corça. Sempre considerei que era alguma coisa poética ou uma composição literária, mas eu me enganei. A corça é um dos animais mais rápidos e ligeiros da natureza. Tem pernas longas e ligeiras que a ajuda a fugir dos predadores. Quem já assistiu Discovery Channel sabe bem do que eu estou falando. É interessante essa passagem e tanto ela quer dizer isso em relação a mobilidade, que o resto do versículo fala da rocha e de andar altaneiramente. Ambos compõe os outros aspectos da preparação de Efésios.

Nós precisamos de um calçado que facilite, principalmente, o nosso avanço contra as linhas inimigas. A Igreja nunca será um exército vacilante nem mesmo um exército de medrosos. Pelo contrário! “As portas do inferno não prevalecerão contra” a Igreja de Jesus (Mateus 16:18). O salmista também diz: “Persegui os meus inimigos, e os alcancei, e só voltei depois de haver dado cabo deles. Esmaguei-os a tal ponto, que não puderam levantar-se; caíram sob meus pés. Pois de força me cingiste para o combate e me submeteste os que se levantaram contra mim” (Salmos 18:37-39). Glória a Deus! Que nos permite ir contra as defesas do inferno. Temos que avançar! Não contra homens, nem em relação à qualquer outra situação, mas contra o inferno, contra o diabo e contra suas obras. É assim, e não de outra forma qualquer, que venceremos.

Interessante perceber que a dificuldade da presteza se dá, basicamente, no campo da nossa mente. Nós devemos crer na Rocha da nossa salvação. Independentemente do nosso passado, do pecado, da nossa transgressão nós devemos estar firmados em nossas mentes com o principio da reconciliação, a paz que temos com Deus. Vejamos este texto de Hebreus: “muito mais o sangue de Cristo, (…) purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:14). Além de purificar a nossa vida o sangue de Jesus é poderoso para purificar a nossa consciência, pois é na nossa mente que nos colocamos disponíveis a servir a Deus. Tudo começa em nossa mente. Se não tivermos uma mente santificada pelo sangue de Jesus não teremos a intrepidez para nos mover contra o inimigo.

E nós precisamos nos mover espiritualmente, precisamos avançar. Um grande problema quando tratamos de guerra espiritual é que não sabemos que temos essa possibilidade, que podemos ir contra as forças que nos oprimem. Quantas vezes vivemos situações alheios ao poder do Senhor? O diabo oprime a Igreja em muitos aspectos e nós, como meros espectadores, assistimos imóveis o que ele faz conosco sem nenhuma mobilidade, sem força e sem discernimento. Mas não deve ser assim. Nós temos a possibilidade de mover contra o diabo, podemos nos achegar na presença do Deus vivo e arguir em qualquer situação que se apresente em nosso caminho. É vontade de Deus que nós vençamos o diabo, portanto tenhamos em mente que nós temos essa mobilidade no Senhor.

 A prontidão 

Por fim, a prontidão dá a real ideia da preparação. Devemos nos preparar e permanecer constantemente prontos para a guerra. Um soldado em guerra não pode ser pego desprevenido. Devemos permanecer vigilantes e constantemente aptos a guerrear. Um texto que podemos perceber como isso é real é o Salmo 91. Este é um salmo maravilhoso que revela o cuidado de Deus para conosco, mas uma característica que pouco vemos é a atitude do salmista. Os versículos 1 e 2 dizem: “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio”. Aqui nós podemos percebemos que o salmista gastava tempo na presença do Senhor e descansava em Sua presença. Essa é a nossa preparação! Muitas vezes queremos vencer o diabo sem nos encher do Senhor Jesus e isso só pode ser feito gastando tempo em Sua santa presença.

Além de nos manter firmes em Deus o Senhor nos presenteia com uma vida elevada quando estamos em Sua presença. Viver na presença Dele nos garante muitas bençãos, salvação e uma vida elevada cheia de realidade e poder de Deus. O Senhor glorifica todo aquele que se apresenta em Sua presença humildemente.


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