Dons Espirituais: A variedade de Línguas (1 Coríntios 12:10)

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"[...] e a outro a variedade de línguas" 1 Coríntios 12:10.

 Introdução 

Após uma pausa no nosso estudo dos dons espirituais, voltamos agora com essa postagem acerca do dom de línguas. Esse é um dos dons que sempre causa confusão e dúvida nas igrejas do nosso tempo. Mas ainda no tempo de Paulo já houve grande agitação quando Deus usou seu ministério para revelar a realidade de um dom tão interessante.

Para entender mais sobre o dom de línguas, peço que esqueça um pouco o que é dito e reproduzido na maioria das denominações. Vejamos o que a Palavra nos diz a seu respeito para que a partir da visão bíblica percebamos suas muitas manifestações no nosso tempo.

 A variedade de línguas 

Quando falamos acerca da variedade de línguas (ou o dom de línguas, como o conhecemos) devemos primeiro buscar na Palavra de Deus o sentido do que está sendo dito. Ao lermos a seu respeito no capítulo 12 de 1 Coríntios, percebemos que o sentido da variedade de línguas é a variedade de linguagens ou de idiomas. É fácil verificar o sentido desse texto quando observamos o termo grego para a palavra línguas neste versículo, que é glōssa (G1100), e que possui exatamente esse sentido de linguagem ou idioma.

O Pentecoste em Atos exemplifica esse sentido:

"E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu.

Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?

Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?" Atos 2:3-11.

 Objetivos práticos da variedade de línguas 

 A edificação pessoal

"O que fala em outra língua a si mesmo se edifica [...]" 1 Coríntios 14:4.

O primeiro ponto que percebemos sobre o dom de variedade de línguas é que ele serve para nossa edificação pessoal. Por muitos anos eu não falei em línguas, mas também nunca me incomodei. Certa vez comecei a orar buscando por ele, e quando o recebi, minha percepção foi que ele seja talvez o dom que mais objetive a edificação pessoal. Quando falamos em outras línguas percebemos o nosso espírito sendo cheio com a graça e com o poder de Deus.

É interessante notar que a Palavra nos fala que quem ora em outra língua, ora a Deus e em Espírito. Ou seja, ele é uma excelente forma de nos voltar para o Espírito. Quando não o utilizamos, podemos ter dificuldade para nos voltar ao espírito, mas quando falamos em outros línguas, não é possível orar senão no Espírito.

Para aqueles irmãos que desejam grandes dons eu digo que busquem também o dom de variedade de línguas para a sua própria edificação pessoal. Por anos eu considerei este como o menor dos dons, mas hoje não tenho este mesmo pensamento. Este é o dom que talvez seja mais útil para nossa vida pessoal.

 A edificação da Igreja

Um dos motivos que levou Paulo a considerar que o dom de línguas era inferior ao dom de profecia, é que ele não realiza a edificação da Igreja, uma vez que quem fala em outras línguas fala a Deus em mistérios. Somente pode haver edificação se houver entendimento que cause alguma mudança na vida das pessoas. Por isso também esse dom é muito ligado ao dom de interpretação de línguas, para que a Igreja receba a edificação dos irmãos que possuem o dom da variedade de línguas.

 Sinal para os estrangeiros

"Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor" 1 Coríntios 14:21.

Apesar de ser considerado inferior ao dom de profecia, a variedade de línguas é um dom importante e possui uma função que, apesar de estar explicita na Palavra de Deus, muitas vezes não conseguimos percebê-la.

Esse dom é um sinal milagroso para todas os estrangeiros, aqueles que não comungam da nossa língua materna. Assim como aconteceu no dia de Pentecoste, aqueles que falam em outras línguas têma habilidade de transmitir uma mensagem (uma profecia) na língua materna dos seus ouvintes. É um dom extremamente evangelístico! Imagine se Deus te ordena ir a um certo país que tenha uma língua diferente da sua língua nativa. Como seria possível falar a estas pessoas? A resposta é o dom de variedade de línguas.

Veja que esse dom era necessário com muita urgência na época dos apóstolos, ao passo que em nosso tempo, quando vivemos uma realidade em que grande parte do mundo já ouviu a Palavra de Deus, ele já não é mais tão presente. Não é a toa que no dia de Pentecostes o primeiro dom que os apóstolos receberam foi a variedade de línguas, pois em Jerusalém haviam pessoas de todas as partes do mundo antigo. Essa era a oportunidade que Deus precisava para levar a mensagem de Cristo a todas as nações. Nós vemos a continuação dessa história no restante do livro de Atos e percebemos também como Deus levantou aqueles homens para ir aos quatro ventos pregar as boas novas da salvação. Imagine quantas línguas eram faladas naquele tempo e o tamanho da dificuldade dos irmãos em pregar a palavra de Deus sem conseguir nem mesmo se comunicar em outros países. A saída era a variedade de línguas.

É claro que no nosso tempo esse dom não é tão vital como era no tempo dos apóstolos, mas ele ainda é eficaz e útil. Devemos nos lembrar de que esse dom ainda pode ser utilizado para a pregação da palavra de Deus quando os ouvintes da nossa mensagem não compartilham da nossa língua nativa.

Existem vários testemunhos de irmãos que foram levantados por Deus para falar em línguas e que testemunharam a vida de Deus para outras pessoas, que ouviram em sua própria língua. Estes relatos devem chamar a nossa atenção para a funcionalidade deste dom. Se Deus te levantar para ir aos confins da terra, não entre num cursinho de idiomas. Peça a Deus o dom de línguas.

 Dom de profecia Vs Variedade de línguas 

"[...] quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação" 1 Coríntios 14:15.

É muito interessante perceber o paralelo que Paulo constrói no capítulo 14 de 1 Coríntios. Paulo compara nesse texto o dom de profecia à variedade de línguas. Se considerarmos aquilo que a Palavra nos fala e adicionarmos um bocado de lógica, perceberemos que o dom de profecia é superior ao de línguas, pois quem profetiza entrega uma mensagem que levará entendimento aos seus ouvintes. Por outro lado, a variedade de línguas nem sempre vem com entendimento, pois necessita da tradução de um intérprete.

A grande diferença entre esses dois dons, entretanto, é que o dom de profecia serve para os irmãos que falam sua mesma língua, enquanto a variedade de línguas é uma ferramenta profética para todas as nações com as quais você mesmo não conseguir se comunicar. A diferença desses dons é prática em relação ao entendimento da mensagem. Ou seja, se o ouvinte entende as suas palavras, não há necessidade do falar em outras línguas. A necessidade nesse caso é que haja profecia para que os ouvintes sejam tocados por Deus. Por outro lado, se estamos em um ambiente onde os ouvintes não conseguem nos entender, aí sim existe a necessidade do dom de variedade de línguas.

Resumindo, a profecia serve para tantos quantos conseguem entender o seu idioma, enquanto o dom de línguas é um sinal sobrenatural para edificação daqueles que não compartilham da mesma linguagem que você. Por isso o nome do dom: variedade de línguas.

 Deve haver ordem no culto 

"No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete" 1 Coríntios 14:27.

Um dos pontos que devemos observar quanto a este dom é que ele não deve ser utilizado como temos visto. A Palavra nos fala que se alguém fala em outras línguas, essa pessoa deve ser interpretada para que haja edificação no meio dos irmãos. Se não houver interpretação, então não há necessidade de levantar a voz falando em outras línguas.

É claro que existem momentos em que Deus irá te mover a falar em outras línguas e não conseguimos nos controlar quando isso acontece. Mas tudo isso tem um objetivo. Se não houver objetivo, então é melhor que a pessoa ore de si para Deus.

 Conclusão 

"Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja" 1 Coríntios 14:12.

O dom de línguas possui uma característica muito benéfica: a edificação pessoal. Esse ponto não deve ser negligenciado pelos irmãos. Ele coopera sim na caminhada e deve ser um dos dons que buscamos na vida com Deus. Mas ainda mais é importante que a Igreja seja edificada ou por palavra ou por profecia e, como vimos acima, sem entendimento não é possível que haja edificação.

Portanto é muito bom que falemos em outras línguas. Porém ainda mais importante é trazer edificação para a Igreja, seja através de interpretação ou através de outros dons. Não devemos nos ater apenas na edificação pessoal, mas devemos buscar a edificação de todo corpo.

Pessoalmente esse é um dos dons que eu mais gosto, pois ele nos leva diretamente de volta ao espírito e serve muito bem para a edificação pessoal. Mas o dom de línguas, por si só, não consegue edificar a Igreja. Portanto aquele que fala em outras línguas, que busque também o dom de interpretá-las para que a Igreja seja edificada.


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