O perigo do humanismo na vida cristã

Pregação sobre o cristianismo de conveniência e a influência do humanismo

Última revisão: 2 de agosto de 2026.

Introdução

Qual é a diferença entre o Cristianismo e o Humanismo? Enquanto a visão humanista coloca o homem, sua felicidade e sua realização no centro de todas as coisas, o verdadeiro Cristianismo começa em Deus, em sua vontade e em seu propósito eterno. Neste estudo bíblico, veremos como essas duas visões influenciam nossa compreensão do Evangelho, da salvação e da própria vida cristã.

Em março de 2013, fiz esta postagem, que originalmente se chamava “Cristianismo versus Humanismo” e expunha uma pregação, ou um trecho de uma pregação, do meu amado irmão Paris Reidhead, que discorria sobre os perigos do humanismo.

Hoje, treze anos depois, preciso fazer uma grande revisão nesta postagem. Acontece que essa mensagem é importante demais para permanecer reduzida à transcrição de um trecho de um vídeo antigo. Apesar da força das palavras do meu amado irmão, é importante nos debruçarmos com ainda mais afinco e dedicação sobre o tema acerca do qual ele me despertou a meditar e que, desde então, venho procurando desenvolver.

Você verá que talvez este texto resuma tudo o que há para falar sobre o cristianismo dos nossos dias, um tema profundo demais para ser tratado em poucas palavras. Que o Espírito Santo, vivo e eficaz, nos revele estas palavras tão singelas.

O cristianismo de conveniência

Quando nos convertemos, precisamos tomar uma decisão muito importante: Deus é um fim ou um meio para atingir nossos objetivos? Essa é uma pergunta que devemos fazer a nós mesmos.

Quantas pessoas você já conheceu no convívio da Igreja que estavam ali com o claro intuito de buscar qualquer coisa que não fosse a glória do Senhor? Já conheci pessoas que se reuniam buscando negócios, relacionamentos amorosos ou sociais, reconhecimento e espaço para exibir suas habilidades. Enfim, buscavam qualquer coisa que não fosse a pura comunhão com os irmãos ou a busca pela Verdade através de Jesus.

Talvez isso seja ainda mais frequente do que imaginamos. Caso esteja lendo este texto com sinceridade, faça um exercício de consciência. Pergunte a si mesmo qual é o verdadeiro motivo da sua busca e da sua comunhão entre os irmãos. Se a resposta principal não for a fraternidade verdadeira entre os irmãos e a busca pela Verdade e por conhecer Jesus, talvez sua motivação precise ser examinada.

O problema deste evangelho, que tenta sanar todos os nossos problemas, sejam eles emocionais, sociais, financeiros ou de qualquer outra natureza, é que ele se afasta da realidade mais profunda do evangelho de Cristo. 

O cristianismo dos apóstolos não tenta tratar daquilo que podemos obter ou conquistar nesta vida, mas do quanto estamos dispostos a perder por causa da sublimidade do conhecimento daquele que enche todas as coisas.

O cristianismo de conveniência coloca qualquer coisa no centro da atenção de nossa vida, em detrimento do conhecimento de Deus. E quando digo "qualquer coisa", me refiro exatamente a isso: qualquer coisa pode ocupar indevidamente o lugar que pertence ao Senhor.

Existem irmãos que se consideram sábios e se dedicam excessivamente ao estudo. Entretanto, a Palavra não nos chamou apenas a estudar a vida do Senhor, mas para viver em comunhão com Ele. Se nosso estudo não nos conduz à comunhão viva com o Espírito Santo, então ele não passa de um ídolo.

Outros se dedicam excessivamente a eventos, números e estratégias destinadas a atrair pessoas para debaixo de sua influência. Em muitos casos, fazem isso porque estão mercadejando o Reino de Deus. E não sou eu quem os acusa. Pedro, um dos doze, nos adverte:

“[...] também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias [...]” | 2 Pedro 2:3

E Paulo ainda acrescenta:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” | 2 Timóteo 4:3-4

A infiltração do humanismo

O problema deste cristianismo utilitário é que esse tipo de religião gera uma consequência diabólica: o humanismo. Quando nossa busca envolve benefícios além de conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor, provavelmente caímos na armadilha do humanismo.

Isso pode parecer um detalhe muito pequeno para nos atermos a ele, mas saiba que é o maior erro que um cristão pode cometer. Segundo as palavras do irmão Paris, podemos definir o humanismo da seguinte forma: 

[...] ele é uma afirmação filosófica segundo a qual o fim de toda a existência é a felicidade do homem. A razão da existência é a felicidade humana. De acordo com o humanismo, a salvação é simplesmente uma questão de obter da vida toda a felicidade possível.

Isso vai totalmente contra as palavras do nosso Senhor, que nos diz:

“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” | Lucas 9:23

Veja que o problema não é nos reunirmos ou estarmos no convívio da Igreja, mas o entendimento fundamental de que você pode se reunir para ser abençoado e, assim, ser feliz. Isso não é nada além de humanismo, só que envolto em termos teológicos e angelicais para nos enganar.

É triste porque frases humanistas são totalmente normais no meio cristão em nossos dias. Frases como: “Deus quer que você seja feliz” ou “Não se preocupe com isso, Deus está vendo o seu sofrimento e não quer que você sofra”.

Será mesmo? Paulo, o maior pregador do Novo Testamento, deixou-nos uma mensagem bem diferente:

“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.” | Filipenses 3:8-11

Não podemos ler textos como este de Filipenses como se fossem verdades ocultas e estranhas demais à nossa realidade. Se fizermos assim, estaremos condenados a aguardar uma ressurreição que jamais chegará. Os termos da salvação de Cristo não se baseiam na opinião que nós temos sobre ela, mas sobre aquilo que o próprio Senhor nos revelou durante toda a história, conforme também está escrito:

"E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?" | 1 Pedro 4:18

Quando a salvação vira fórmula

O texto de Paris faz ainda uma crítica sobre o esquema que a salvação se tornou em nosso tempo. Veja:

Uma pessoa era considerada cristã porque conseguia responder “sim” em quatro ou cinco pontos que lhe eram apresentados. Se soubesse onde dizer “sim”, alguém lhe dava um tapinha nas costas, apertava sua mão, sorria largamente e dizia:

“Irmão, você está salvo.”

Assim, chegamos ao ponto em que a salvação se tornou nada mais do que a aceitação de um esquema ou de uma fórmula. E o fim dessa salvação era a felicidade do homem, porque o humanismo havia penetrado no cristianismo.

A verdade é que eu nunca gostei desses apelos, porque nunca vi Jesus apelar para ninguém. O que Jesus falava era: “Siga-me” ou “Arrependei-vos”. Existe, sim, uma decisão. Isso é a metanoia. Porém, ela precisa ser desenvolvida com temor e tremor. Trata-se da salvação de Deus, que anjos anelam perscrutar, conforme Pedro nos revelou:

“Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” | 1 Pedro 1:10-12

Será que estamos agindo corretamente ao apresentar uma fórmula para que as pessoas concordem com ela e, assim, afirmar: “Irmão, você está salvo”? Talvez essa salvação seja muito mais profunda e maravilhosa do que aquilo a que o nosso evangelho está acostumado.

Conclusão: a Ele, todas as coisas

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” | Romanos 11:36

O evangelho verdadeiro não é sobre o homem, mas sobre Ele, para Ele e por meio dele. A salvação é pela fé, e a fé é dom de Deus. Portanto, nem mesmo a nossa salvação se baseia em nossa própria escolha fria, mas em um dom que só pode ser gerado pelo próprio Espírito Santo. Assim, devemos nos desfazer de nós mesmos e abrir nossa vida para que a Palavra da Verdade brote em nosso coração. Devemos beber da fonte da água da vida, limpar nossos pecados e nos assemelhar a Cristo, se queremos ser salvos naquele Dia.

Cristo é o centro de todas as coisas. Ele é a origem de tudo, a fonte da vida, o motivo maior da nossa fé, a razão do nosso viver, a esperança da nossa salvação, nosso amigo, mas também nosso Rei e Senhor. Ele é o nosso Redentor, que tem o poder de nos livrar da morte e do pecado, a fim de arrancar de nós toda culpa e injustiça para que estejamos com Ele naquele Dia, diante do trono da graça.

Ó Senhor, nos revela estas palavras. Revela ao teu povo estes dias a infinidade da Sua santidade. Nos mostra que a Ti somente pertence a glória eternamente. Enche nosso coração com um desejo incansável de te conhecer, o único Senhor e Salvador das nossas almas. Não a nós, Senhor, não a nós. Mas ao TEU nome, dá glória! Ergue a Tua bandeira entre as nações e se manifeste ao teu povo que clama.

Leia também o trecho da pregação do irmão Paris Reidhead

Estaria eu fora de ordem se falasse com vocês, por alguns instantes, sobre uma religião utilitária? Um cristianismo de conveniência?

A pergunta que vocês precisarão fazer a si mesmos é: Deus é um fim ou é um meio?

Logo no início da vida cristã, você precisa decidir se verá Deus como um fim em Si mesmo ou como um meio para alcançar outra coisa.

A filosofia dominante dos nossos dias tornou-se o humanismo. Podemos definir o humanismo da seguinte maneira: ele é uma afirmação filosófica segundo a qual o fim de toda a existência é a felicidade do homem. A razão da existência é a felicidade humana.

De acordo com o humanismo, a salvação é simplesmente uma questão de obter da vida toda a felicidade possível.

Então surgiu entre o meu povo um grupo, os fundamentalistas, que dizia:

“Cremos na inspiração da Bíblia.”

“Cremos na divindade de Jesus Cristo.”

“Cremos no inferno e cremos no céu.”

“Cremos na morte, no sepultamento e na ressurreição de Cristo.”

Mas lembrem-se: a atmosfera era a do humanismo. O humanismo declara que o principal fim da existência é a felicidade do homem.

Assim, não demorou para que os fundamentalistas passassem a reconhecer uns aos outros porque diziam: “Cremos nessas coisas”. Em sua maioria, eram homens que haviam conhecido a Deus.

Entretanto, depois de afirmarem que essas eram as coisas que os estabeleciam como fundamentalistas, a segunda geração passou a dizer:

“É assim que alguém se torna fundamentalista: creia na inspiração da Bíblia, creia na divindade de Cristo e creia em Sua morte, em Seu sepultamento e em Sua ressurreição.”

E, assim, alguém se tornava fundamentalista.

Não demorou para que, em nossa geração, todo o plano da salvação fosse reduzido ao assentimento intelectual a algumas declarações doutrinárias.

Uma pessoa era considerada cristã porque conseguia responder “sim” em quatro ou cinco pontos que lhe eram apresentados. Se soubesse onde dizer “sim”, alguém lhe dava um tapinha nas costas, apertava sua mão, sorria largamente e dizia:

“Irmão, você está salvo.”

Assim, chegamos ao ponto em que a salvação se tornou nada mais do que a aceitação de um esquema ou de uma fórmula.

E o fim dessa salvação era a felicidade do homem, porque o humanismo havia penetrado no cristianismo.

Se analisássemos o fundamentalismo em contraste com o liberalismo de cem anos atrás, conforme ambos se desenvolveram, seria algo assim:

O liberal diz que o fim da religião é tornar o homem feliz enquanto ele vive.

O fundamentalista diz que o fim da religião é tornar o homem feliz quando ele morre.

[...]

Até chegarmos a algo semelhante a isto:

“Aceite Jesus para que você possa ir para o céu. Você não vai querer ir para aquele inferno velho, imundo, desagradável e ardente, quando existe um belo céu lá em cima. Venha agora a Jesus para poder ir para o céu.”

Esse apelo pode dirigir-se tanto ao egoísmo quanto o apelo de dois homens sentados em uma cafeteria, decidindo roubar um banco para obter alguma coisa sem pagar por ela.

Isso se torna tão sutil que se espalha por toda parte. O que é isso?

Em essência, é o seguinte: o postulado filosófico de que o fim de toda a existência é a felicidade do homem foi revestido de termos evangélicos e de doutrinas bíblicas.

Assim, Deus reina no céu para a felicidade do homem. Jesus Cristo Se encarnou para a felicidade do homem. Todos os anjos existem para a felicidade do homem. Tudo existe para a felicidade do homem.

E eu lhes afirmo que isso não é cristão.

O cristianismo declara:

“O fim de toda a existência é a glória de Deus.”

O humanismo declara:

“O fim de toda a existência é a felicidade do homem.”

Essa é a traição das eras.

E é nessa traição que vivemos. Não vejo como Deus pode avivar isso enquanto não voltarmos ao cristianismo.

Isso significa que o homem não será feliz? Que Deus não pretende fazê-lo feliz?

Deus pretende fazê-lo feliz, mas como um subproduto, e não como o produto principal.

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