“[...] há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” | Efésios 4:4-6
Leitura complementar: Efésios 4:1-6 | Efésios 1:22-23 | Mateus 18:20 | Colossenses 1:18a | Colossenses 2:18-19 | João 14:18-20 | Romanos 12:4-8 | 1 Coríntios 12:14-21 | 1 Coríntios 12:8-10 | Mateus 23:9-11 | Efésios 4:15-16 | 1 Coríntios 10:16-17 | Efésios 5:25-27.
Introdução
Esta é a primeira parte do estudo As realidades indivisíveis, série que tentará explicar sucintamente algumas das realidades fundamentais e indivisíveis da vida cristã, conforme lemos no capítulo 4 de Efésios: há somente um corpo e um Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo e um só Deus e Pai de todos.
Todas essas realidades são indivisíveis, fundamentais no ensino dos apóstolos e aparecem recorrentemente ao longo de todo o Novo Testamento. Elas descrevem realidades espirituais profundas, apesar de nem sempre representarem aquilo que vemos ao nosso redor.
Por mais comuns que sejam no ensino dos apóstolos, veremos que muitos desses pontos são negligenciados ou se perderam em nossos dias devido à apostasia, ao interesse humano ou ao trabalho do diabo para cegar a Igreja de Cristo.
Nosso objetivo neste estudo é demonstrar, de forma honesta, aquilo que os apóstolos do Cordeiro discorreram e nos ensinaram sobre cada um desses temas. Tentaremos nos aprofundar em cada um deles, que considero fundamentais para a vida cristã, para o desenvolvimento do Corpo de Cristo e até mesmo para a nossa própria salvação como filhos do Pai celestial.
Há somente um Corpo
“E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” | Efésios 1:22-23
O primeiro pilar deste estudo é o Corpo de Cristo, que é a Igreja. E aqui precisamos compreender algumas coisas, porque este é um dos fundamentos mais importantes e, ao mesmo tempo, um dos mais negligenciados.
Talvez seja um dos fundamentos que mais sofre com ensinamentos incorretos, com o engano e com a falta de interesse em ensinar estas coisas. Muitos pastores temem perder sua autoridade se os irmãos entenderem a profunda realidade deste fundamento.
A Igreja é o Corpo de Cristo. A palavra oriunda do grego é ekklēsia (ἐκκλησία) e significa algo como: assembleia, reunião ou congregação. Ou seja, a Igreja é a comunidade indivisível, total e perfeita do nosso Senhor Jesus, composta por todos aqueles que são filhos legítimos de Deus e que, através do Espírito, do arrependimento, do batismo e da fé, se uniram a Ele.
Diferentemente do que muitos podem pensar, não existe mais de uma Igreja. A realidade espiritual do Corpo é indivisível. Isso significa que ele não pode ser separado nem dividido, não importa o que a nossa realidade pareça demonstrar. O Corpo de Cristo é uma única comunidade indivisível, perfeita e preciosa.
Se dividirmos um corpo de sua cabeça, ou mesmo separarmos os membros do mesmo corpo, ele certamente perderá sua vida. Assim também é impossível separar Cristo, a Igreja e os membros de um mesmo Corpo. O que existe na prática, e que devemos saber diferenciar com muita clareza, são as muitas denominações, sobre as quais voltaremos a tratar com mais dedicação ao final deste estudo.
A Igreja é fruto do sacrifício de Cristo na cruz; logo, ela não pode ser controlada nem reduzida a nada além do Corpo vivo de Jesus Cristo. Assim, sendo resultado de um sacrifício definitivo, a Igreja torna-se indivisível. Ela é um único Corpo sobre toda a terra, a reunião de todos aqueles que foram ligados a Cristo.
Cristo é a Cabeça do Corpo
“E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.” | Efésios 1:22-23
Quando falamos do Corpo, precisamos também entender quem é a Cabeça desse Corpo. E, claro, a nossa Cabeça é Jesus Cristo, o Filho do Homem que veio à terra, sofreu em nosso lugar e morreu pelos nossos pecados. Ele veio, deixou-nos exemplo e um caminho pavimentado pelo qual devemos seguir.
Se pensarmos na relação biológica entre um corpo e sua cabeça, logo entendemos que o corpo depende biologicamente da cabeça para determinar suas ações, sua atividade e tudo o que o corpo faz e realiza. Neste exemplo, podemos também usar essa relação para falar da relação entre Cristo e a Igreja.
“Ele é a cabeça do corpo, da igreja.” | Colossenses 1:18a
“Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal, e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem-vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” | Colossenses 2:18-19
Jesus não é um presidente honorário da Igreja. Ele é a Cabeça. Isso significa que os membros, individualmente, precisam estar ligados a Ele. Essa relação vertical entre o Corpo e a Cabeça precisa existir e subsistir.
Paulo usa uma expressão muito interessante em Colossenses: reter a cabeça. Essa expressão significa estar debaixo da Sua autoridade. No texto acima, ele está avisando os irmãos sobre pessoas que podem se fazer mestres entre eles com base em revelações ou visões, mas que não retêm a Cabeça. Ou seja, elas não consideram Cristo em sua obra e palavra.
A atuação do Espírito Santo
A forma de reter a Cabeça é através da atuação constante do Espírito Santo em cada um de nós. O próprio Senhor Jesus nos prometeu:
“Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros. Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis. Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.” | João 14:18-20
Quando retemos a Cabeça, vivemos debaixo da atuação do Espírito Santo, por meio do qual o próprio Senhor Jesus pode habitar e operar em nós.
Membros uns dos outros
“Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.” | Romanos 12:4-8
A última característica que veremos neste estudo sobre o Corpo é a nossa ligação com os nossos irmãos. Como vimos nos tópicos anteriores, somos um só Corpo ligado à Cabeça, que é Cristo. Isso implica que, enquanto estivermos nesta terra, seremos também membros uns dos outros.
Se pudermos aplicar isso aos princípios que aprendemos, significa que, na prática, podemos nos relacionar e ter comunhão com quem quer que seja. Se alguém se reúne em nome de Jesus, não há impedimentos bíblicos que nos impeçam de estar com esses irmãos.
Este é um princípio fantástico porque derruba qualquer sofisma que os homens possam incutir em nossa mente, dizendo que não podemos nos reunir com este ou aquele irmão. É claro que existem irmãos verdadeiros e existem pessoas que se baseiam em teologias estranhas. E é bom que sejamos cuidadosos para não cairmos em situações complicadas demais e que possam macular a nossa experiência com Cristo, mas, em geral, podemos, sim, ter comunhão com quem quer que seja, contanto que seja no nome de Jesus.
A relação horizontal do Corpo
“A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo.” | Mateus 23:9-11
Mas agora precisamos falar de uma das características mais sensacionais do Corpo de Cristo: a horizontalidade. Se, por um lado, temos uma relação vertical com a nossa Cabeça, Cristo, por outro, a nossa relação com os nossos irmãos precisa ser horizontal.
Isso significa que, além de Cristo, que é a nossa Cabeça, não há outros membros do Corpo que devam possuir nenhum tipo de primazia ou posição especial. Somos todos irmãos, ligados à mesma Cabeça. Isso faz de todos nós iguais entre si.
E também implica que não há possibilidade de existir uma classe clerical especial ou algo semelhante no Corpo. Essa divisão entre povo e clero, que surgiu há muitos séculos, com origem no início da Igreja Católica, é um câncer e um erro que macula profundamente o serviço e a obra de Deus entre os homens.
Devemos odiar o Nicolaísmo
“Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.” | Apocalipse 2:6
Quando lemos os primeiros capítulos de Apocalipse, deparamo-nos com uma pequena e misteriosa palavra: o Nicolaísmo (Νικολαΐτης).
Essa palavra foi cunhada por João e, apesar de haver discordância sobre seu significado teológico exato, existe uma interpretação defendida por Watchman Nee, G. H. Pember, Chuck Missler e outros irmãos que entende o nome nicolaítas como referência ao surgimento de uma classe que se eleva sobre o povo de Deus.
Segundo essa interpretação, o termo se explica pela tradução da palavra do original grego, sendo que:
nikáō → conquistar, vencer
laós → povo
Ficando o significado algo como: aqueles que conquistam ou dominam o povo.
Essa leitura ganha especial interesse quando observamos a progressão das “obras” em Éfeso para uma “doutrina” em Pérgamo e, na leitura profético-histórica das sete igrejas, a correspondência de Pérgamo com o período em que a Igreja se aliou ao poder imperial e desenvolveu estruturas eclesiásticas cada vez mais hierarquizadas.
Essa pode ser uma visão não tão comum, mas me parece muito interessante, porque, depois que a Igreja passou por mudanças sob o domínio de Roma, o serviço entre os irmãos nunca mais foi o mesmo. Mesmo com a Reforma, a estrutura das congregações e denominações reformadas continuou sendo extremamente rigorosa, impedindo o mover fluido do Espírito Santo.
Talvez seja por isso que Cristo também odeie essas obras, porque elas impedem o agir natural em todo o Corpo, reduzindo-o a alguns irmãos que podem ou não se sujeitar à Cabeça.
Veja como um único problema pode acarretar diversos problemas para todo o Corpo. É como se, em uma grande árvore, pudesse haver somente alguns veios de seiva. Certamente haveria muitas folhas que não receberiam a seiva corretamente, porque seria impossível que os mesmos veios alcançassem toda a árvore.
Igualmente, se no Corpo de Cristo somente alguns irmãos fossem responsáveis por todo o Corpo, seria praticamente impossível que todo o Corpo recebesse a seiva do Espírito. É por isso que precisamos viver e compreender a realidade do Corpo de forma estritamente horizontal. Somos todos iguais, debaixo da autoridade de um mesmo Senhor e Salvador.
A edificação do Corpo
“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem-ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.” | Efésios 4:15-16
Se todos somos um só Corpo, unidos lateralmente sob uma só Cabeça, então cada um de nós é responsável pelo crescimento do todo. A edificação do Corpo deixa de ser uma responsabilidade do meu pastor e passa a ser minha responsabilidade. Veja como ter discernimento destas coisas pode mudar toda a nossa percepção da vida cristã.
Quando percebemos a nossa responsabilidade intrínseca, por sermos parte deste Corpo, logo passaremos a buscar com ainda mais afinco e zelo a edificação do Corpo. Isso faz parte do que significa compreender a realidade do Corpo. É quando entendemos que somos um só e que devemos nos edificar mutuamente, para que o todo cresça o crescimento que vem do Senhor.
Com essa percepção em mente, segue-se um caminho totalmente natural: como podemos servir e edificar o Corpo de Cristo? E a resposta mais perfeita e honesta, apesar de haver discussão teológica quanto a isso também, são os dons e ministérios bíblicos.
As funções no Corpo: dons e ministérios
“Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.” | 1 Coríntios 12:8-10
Quando passamos a discernir o Corpo dessa forma e assumimos a nossa responsabilidade inata em nossa natureza divinamente recebida, então passamos a buscar os dons espirituais. Essa é uma busca natural e que deve ocorrer sempre que buscamos a Deus com sinceridade.
A vida com Cristo e o caminhar com os irmãos nunca serão uma experiência fria, mas sempre uma caminhada de experiências, vivências e aprendizados. De situações sobrenaturais. Com acontecimentos tão maravilhosos que será difícil explicar com palavras.
É por isso que, quando desejamos servir à Igreja, precisamos buscar os melhores dons. E, enquanto buscamos, devemos também colocá-los em prática e aprender servindo, para ter o discernimento necessário para continuar servindo com ainda mais assertividade.
Aqui neste estudo não temos a ideia de desenvolver pontualmente todos os dons. Isso fazemos no estudo Dons Espirituais. Caso tenha interesse, acesse a Introdução do estudo para se aprofundar neste tema. Inclusive, este é um bom ponto de partida. Muitas vezes não sabemos o que pedir porque não sabemos exatamente o que pedir.
Unidade x Concordância
“Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo.” | 1 Coríntios 12:14-20
Uma grande dificuldade que enfrentamos hoje em dia é a teologia. Como temos muito acesso às informações, estudos e tudo mais que há para ler, ficamos somente no campo da mente, e isso gera, naturalmente, discordâncias e divisões.
Não é necessário dizer que isso não é o ideal. Então, devemos saber diferenciar com clareza unidade de concordância. A unidade do Corpo vai existir independentemente da nossa concordância teológica. Como diz o texto acima, não é por pensar ou dizer algo que aquele membro deixa de ser do Corpo.
Portanto, a nossa unidade não pode ser conforme a nossa compreensão temporária, nem muito menos segundo o nosso posicionamento teológico momentâneo. O que vejo de forma muito comum são irmãos que não conseguem ter comunhão devido a um posicionamento teológico.
Devemos nos lembrar de que a compreensão teológica pode evoluir. Eu mesmo já voltei atrás em inúmeras compreensões teológicas no passado e tenho certeza de que ainda haverá muitos outros pontos em que isso será necessário.
Também é por isso que estamos fazendo este estudo. Existem pontos que nos unem, em vez de nos dividir. Este é um deles: há somente um Corpo. Seja você da denominação que for. O Corpo de Cristo é perfeito e indivisível, não importa o que você faça ou pense. Glória a Deus! Ninguém pode dividir este Corpo!
A Ceia e a unidade do Corpo
“Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.” | 1 Coríntios 10:16-17
Por fim, a Ceia do Senhor, além de nos lembrar do sacrifício perfeito e eterno do nosso Senhor, também é, simbolicamente, a expressão de que o Corpo é um só debaixo da autoridade de um só Senhor. Portanto, podemos considerar a Ceia como uma representação da unidade perfeita em um só Corpo. Talvez por isso a Ceia seja algo tão representativo e maravilhoso.
Conclusão
As divisões visíveis
Apesar da realidade espiritual indivisível da Igreja, aquilo que observamos no cotidiano é muito diferente. Há muitas denominações e muita divisão. Mas por que, então, a percepção visível é tão distante da realidade espiritual? O versículo anterior de Efésios 4 nos responde parcialmente a essa pergunta:
“[...] esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” | Efésios 4:3
É claro que este trecho de Efésios é riquíssimo, e provavelmente ainda vou me debruçar com mais afinco sobre ele, mas o que podemos antecipar resumidamente é que a unidade é uma realidade do Espírito, ou seja, é uma realidade espiritual.
Veja que interessante: o trecho não nos pede para construir ou desenvolver a unidade, mas para preservá-la. Essa palavra nos traz uma grande revelação: a unidade da Igreja já está feita e concretizada de uma vez por todas.
Ora, se a Igreja é um só Corpo em Cristo, logo os seus membros são igualmente um só Corpo vivo. Essa é a lógica mais direta e realista. O que impede que essa unidade espiritual seja plenamente manifestada entre nós são os próprios membros do Corpo. É por isso que o texto de Efésios nos ensina a preservar diligentemente a unidade do Espírito.
Como agir em meio à divisão?
Tenho me feito essa pergunta há alguns anos. O que fazer se estamos em meio a uma infinidade de denominações? Existem inúmeros grupos que passaram a estudar mais profundamente a Palavra e se depararam com essa mesma pergunta. A saída para muitos deles foi criar novos grupos com essa nova teologia revolucionária. Mas veja que essa iniciativa pode ser apenas mais do mesmo.
Não faz sentido, a meu ver, tentar levar unidade para o Corpo de Cristo através de uma atitude tão facciosa. Assim, a única atitude que faz sentido é nos reunirmos ou nos aproximarmos de todos os irmãos que estiverem próximos de nós. Não fazer nenhum tipo de distinção. Atentar para aquilo que nos une, em detrimento daquilo que nos separa.
E aqui podemos aprender muito com as palavras do nosso Senhor em Mateus. Onde irmãos se reúnem verdadeiramente em nome de Jesus, ali devemos reconhecer e valorizar a presença de Cristo entre eles. Não importa a profundidade da sua teologia, nem sua conta bancária, nem se você é um erudito no grego ou no hebraico. O que importa é a sua honestidade e o desejo de conhecer o Cristo de Deus.
Se houver dúvida sobre se podemos ou não ter comunhão com este ou aquele irmão, uma boa forma de colocar tudo à prova é exatamente este estudo que estamos realizando. Se um irmão crê que há somente um Corpo e um Espírito, uma só Esperança, um só Senhor, uma só Fé, um só batismo e um só Deus e Pai, provavelmente você não terá problemas. Este é um princípio que eu mesmo aplico pessoalmente sempre que conheço novos irmãos.
Realidade espiritual x Realidade aparente
“E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.” | João 2:14-16
Apesar da realidade aparente do Corpo de Cristo, ela nunca será maior do que a sua realidade espiritual. Ainda que os homens façam dele uma casa de negócios, tenho certeza de que, assim como foi, será também. Naquele Dia, a Cabeça provará a obra de cada um e expulsará todos aqueles que negociam ou mercadejam o Seu Reino ou as Suas palavras.
Assim, podemos notar que a realidade divina do Corpo é muito maior do que podemos perceber. Os homens podem fazer ou realizar suas obras como bem entenderem, mas o julgamento virá no tempo oportuno.
Quanto a nós, devemos discernir o Corpo e diligentemente preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Tendo em mente que, apesar das más obras que possamos presenciar, a realidade espiritual do Corpo é perfeita e maravilhosa, como está escrito:
“[...] como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.” | Efésios 5:25b-27
Amém, Senhor! Ensina-nos a preservar a perfeita Unidade com o Seu Corpo, que se encontra sobre a superfície de toda a Terra. Que venhamos a compreender esta grande realidade e discernir com profundidade a natureza perfeita do Corpo maravilhoso de Cristo Jesus.
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