Os Sete Selos: O primeiro selo, o cavalo branco | Apocalipse 6:1-2


Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizendo, como se fosse voz de trovão: Vem! Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer | Apocalipse 6:1-2

 Introdução 

Muito têm-se dito sobre o primeiro selo no 
capítulo seis do livro de Apocalipse. A maioria do que eu tenho ouvido, entretanto, nada têm a ver com aquilo que este selo representa. Por isso me coloquei diante do nosso Pai para compreender estas palavras, de forma que seja possível compartir a todos aquilo que o Senhor deseja para os nossos dias. Você verá que ele tem tudo a ver com a nossa vida nestes últimos dias.

Já há algum tempo eu medito e me disponho a compreender, da parte do nosso Senhor, toda a escritura, mas principalmente o livro de apocalipse. E nestes dias o Senhor tem me incentivado a não reter a revelação de tudo aquilo quanto Ele mesmo deseja revelar aos seus pequeninos. Por isso, com muito temor, receba esta palavra e verifique nas escrituras se tudo que for descrito neste texto possui base nas sagradas escrituras.

 A revelação das sete estrelas 

"Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas" Apocalipse 1:20.

Se queremos entender o livro de Apocalipse devemos começar pelo seu início. No capítulo primeiro, vemos a descrição de Jesus glorificado, a citação das sete Igrejas da Asia, sete candeeiros e as sete estrelas que estão nas suas mãos. Este capítulo muitas vezes é pulado ou mesmo esquecido quando queremos falar deste livro, porém é ele mesmo que traz a revelação sobre todo o restante dos seus capítulos.

Lembremos também que Apocalipse, na verdade, significa revelação. O livro se inicia com: "Revelação de Jesus Cristo [...]" Apocalipse 1:1. Isso significa que este livro, na verdade, revela Jesus glorificado, ressurrecto e poderoso, assentado à destra da glória de Deus e andando no meio das Igrejas. À Ele foi concedido a maior honra e glória de todo o universo, a saber, ser o Rei de Reis para a glória do nosso santo Pai. 

Uma das cenas mais marcantes e significativas deste capítulo são as sete estrelas, que estão em sua mão direita. É como se estas estrelas fossem por ele guardadas com maior atenção, carinho e cuidado. Mas o que seria este mistério? Para entender, devemos voltar ao princípio. Veja: "Jurei, por mim mesmo, diz o Senhor, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz" Gênesis 22:16-18. Neste texto de Gênesis vemos a promessa de Deus a Abraão. Temos neste texto algumas coisas que podemos observar. Aqui é dito que a sua descendência seria como as estrelas do céus, como a areia do mar e que nele, ou seja, na sua posteridade, seriam abençoadas todas as nações da terra.

Sabemos que em Cristo, descendente de Abraão, todas os gentios receberam a promessa da fé e a graça que a nós outrora não havia sido pregada. Portanto, esta promessa já se cumpriu em nós, gentios na carne, feitos herança por meio da fé, sendo que assim nos fazemos descendência em Abraão, pela fé: “E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” Gálatas 3:29.

A promessa, entretanto, difere entre estrelas dos céus e a areia do mar. A areia do mar se refere aos povos que descendem de Abraão na carne. Como os povos árabes, que são conforme o islamismo, descendentes de Ismael e os israelitas, que descendem de Isaque. Isso significa que muitos dos povos do Oriente Médio são descendentes de Abraão. 

Mas o que seriam então as estrelas do céus? As estrelas do céus são a promessa de Deus a Abraão de que dos seus descendentes, seja na carne ou pela justificação pela fé, que decorre primeiro em Abraão, muitos seriam salvos por Deus e levados ao céus e ali brilhariam como as estrelas. Esta promessa há de se cumprir e foi relatada no capítulo sete de apocalipse: "Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos" Apocalipse 7:9.

Portanto, as estrelas que estão na mão do Cordeiro são também os anjos das sete Igrejas. Mas veja que as Igrejas não possuem um anjo ou enviado de Deus que não sejam as próprias pessoas. Assim, o início deste livro nos revela que em meio às Igrejas sempre existirá um remanescente enviado de Deus que proclama em bom tom a Verdade e absoluta obra do nosso Deus. Aqueles que vencem o bom combate, que praticam as palavras de Jesus e edificam a sua casa sobra a rocha. Aqueles que, como Antipas, lutam contra as injustiças dos homens e que não negam o seu nome em meio as contradições humanas. Estas estrelas, que estarão diante do trono de Deus, são os vencedores das Igrejas. Isto também pode ser verificado na promessa aos vencedores de cada Igreja: "O vencedor será assim vestido de branco, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida. Pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos" Apocalipse 3:5.

 O Filho Varão 

"Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono" Apocalipse 12:5.

As sete estrelas, portanto, são um conjunto de pessoas que foram salvas, que viveram o evangelho do Senhor Jesus na prática e que venceram todas as coisas em sua determinada época. São os vencedores, os eleitos de Deus. O capítulo doze de Apocalipse nos revela que existe, mais uma vez, esta distinção entre as estrelas e os candelabros. Neste capítulo vemos a visão de uma mulher que está sofrendo tormentas para dar a luz a um filho varão. E veja que interessante, quem é arrebatado para o trono do Cordeiro é este filho varão, o remanescente fiel.

A verdade das escrituras é clara e sempre nos mostra esta divisão. O problema é que muitas vezes nós não queremos enxergá-la. Basta lembrarmos de alguns exemplos. Veja: "Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha" Mateus 7:24. E também é dito: "E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia" Mateus 7:26. Aqui temos duas pessoas que ouviram as mesmas palavras de Jesus. A primeira praticou as palavras de Cristo, viveu piedosamente e se afligiu pela causa do evangelho. A segunda, por sua vez, ouviu as palavras de Jesus, mas não se importou muito e foi viver a sua vida, tocar os seus negócios.

Ambas estavam ouvindo as mesmas coisas, uma porém praticou e outra não. Na maioria das vezes que vemos exemplos como este temos a tendência de achar que aquele que edificou a sua casa sobre a areia é um insensato mundano, porém não é este o caso. Ambos provavelmente creram no Senhor Jesus, mas só um deles praticou as suas obras. Vivemos em tempos semelhantes. Muitas pessoas ouvem as palavras de Deus, mas poucas são aquelas que buscam praticar suas palavras com temor. Deus, sendo justo e perfeito, não admitiria que ambas tivessem o mesmo galardão e por isso ele guarda aquelas que praticam a sua palavra com maior zelo e as arrebatará naquele grande dia, pois elas mesmas venceram a carne, o pecado, o mundo e até mesmo o diabo! São elas que trazem justiça a satanás e por isso mesmo tomarão o seu lugar nos céus.

Este grupo de pessoas, em uma composição das sete Igrejas, é o filho varão, os eleitos de Deus. Por todo livro de Apocalipse vemos este exemplo de diferenciação entre aqueles que participam das bodas do cordeiro com aqueles que aguardam a ressurreição após os mil anos, veja: "Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos" Apocalipse 20:6.

 Os exércitos que há no céus 

"[...] e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro" Apocalipse 19:14.

Na sua vinda triunfal, a 'parousia', o Senhor Jesus não virá sozinho, mas virá com os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos e vestidos de linho finíssimo, branco e puro. Este texto retrata mais uma vez o filho varão, ou as estrelas que estavam na mão do Senhor Jesus no capítulo primeiro de Apocalipse. E aqui este povo não são os anjos, pois na palavra em nenhum momento é citado como eles se vestem, mas os vencedores, os eleitos de Deus, o Filho Varão. Veja: "Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos" Apocalipse 19:7-8.

Mais uma vez vemos aqui que, além de Jesus que virá também montado num cavalo branco, assim também virão todos aqueles que forem arrebatados, os vencedores, os eleitos, o filho varão. Isto nos mostra que o primeiro selo não pode ser ninguém além destes exércitos, mesmo porque eles ainda precisam vencer em vida, como já têm vencido desde o inicio da era da Igreja. Por isto também "[...] ele saiu vencendo e para vencer", pois os vencedores vencem desde a era da Igreja em Éfeso, que representa profeticamente o tempo da Igreja primitiva e apostólica. E desde então os vencedores por todas as eras da Igreja estão vencendo satanás, por mais que ele tenha tentado calar a sua ação e seus atos de justiça. E mesmo por meio da morte eles não podem ser calados! Porque ainda que morram, viverão, porque sobre eles não reina a segunda morte. E naquele grande Dia, eles vencerão de uma vez por todas. Se juntará a eles os vencedores de Laodiceia, que serão arrebatados, e será expulso o dragão, a antiga serpente que engana o mundo todo. Porque "eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida" Apocalipse 12:11. ALELUIA!!

Este é o mistério que foi revelado, a promessa maravilhosa de Deus a todos quantos vivem piedosamente e morrem a cada dia para viverem para o nosso Deus. Que tomam diariamente a sua cruz e o seguem constantemente para o calvário. O Pai tem para estes uma promessa sobremaneira excelente. Promessa de vida, ainda que sejam mortos; promessa de riqueza, ainda que sejam pobres. Por isso este mundo não mais nos importa. Por isso vivemos neste mundo, como se dele não fôssemos, porque de fato, não somos. A esperança destes tais é assim, viver nesta terra como se dela não fossem, andam aqui como se já houvessem sido arrebatados, porque assim cumpre fazer. Somos seres eternos, movidos pelo Espírito da Promessa para a salvação da nossa alma naquele dia. Nada temos, nada possuímos, a não ser a esperança da revelação da graça de Deus em Cristo Jesus.

 A vitória pela paz, o arco sem flechas 

"Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco;" Apocalipse 6:2.

Uma característica interessante destas pessoas é que elas tem um arco sem flechas. Isto demonstra que, apesar de ser um povo de guerra, eles não batalham contra carne. Mesmo porque o julgamento pertence somente ao nosso Senhor Jesus. Eles são arautos da paz, assim como o evangelho de Cristo nos instrui: "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" Mateus 5:9. Apesar de ser mensageiros de paz, o arco é uma arma e também é retratada em outros textos na palavra de Deus. Um deles, que me agrada muito é Isaías. Veja: "As suas flechas são agudas, e todos os seus arcos, retesados; as unhas dos seus cavalos dizem-se de pederneira, e as rodas dos seus carros, um redemoinho" Isaías 5:28. Veja que este exemplo demonstra que esta figura deste cavalo branco é retratado por toda a palavra de Deus. Infelizmente não conseguimos enxergar porque estamos cegos em muitas fábulas e a palavra de Deus não pode ser revelada a nós desta forma. Mas veja como são poderosas as palavras que descrevem estas pessoas.

O livro de Joel é outro exemplo de textos assim. Veja: "Como a alva por sobre os montes, assim se difunde um povo grande e poderoso, qual desde o tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. À frente dele vai fogo devorador, atrás, chama que abrasa; diante dele, a terra é como o jardim do Éden; mas, atrás dele, um deserto assolado. Nada lhe escapa. A sua aparência é como a de cavalos; e, como cavaleiros, assim correm. Estrondeando como carros, vêm, saltando pelos cimos dos montes, crepitando como chamas de fogo que devoram o restolho, como um povo poderoso posto em ordem de combate" Joel 2:2-5.

Assim o Senhor deseja. Levantar um povo de guerra, que são pacificadores. Um povo que ainda que morra, viverá. Ainda que seja pobre, será rico. Ainda que sejam pacificadores, serão um povo de guerra tal qual o mundo nunca viu e nem nunca verá.

 Por que o cavalo branco não é Jesus? 

"[...] e ele saiu vencendo e para vencer"

Jesus venceu na cruz de uma vez por todas e hoje está assentado à destra da Majestade. Ele assim afirma ao falar a Igreja em Laodiceia: "Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono" Apocalipse 3:21.

Jesus não precisa vencer novamente. Quando vemos a citação da vitória em Apocalipse sempre é relativo aos vencedores: "Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. O SENHOR enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos" Salmo 110:1-2.

Jesus voltará não para vencer o mundo, mas para julgá-lo: "Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça" Apocalipse 19:11.

 Por que o cavalo branco não é o anticristo? 

"De um dos chifres saiu um chifre pequeno e se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa" Daniel 8:9.

"[...] e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas" Daniel 9:26.

"Ninguém, [...] vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição" 2 Tessalonicenses 2:3.

"O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos" Apocalipse 20:10.

A razão pela qual o primeiro selo não se trata do anticristo é simples, o livro de Apocalipse não se trata da revelação do anticristo, nem da obra do diabo. Se estamos falando da obra maravilhosa de Jesus, o foco não pode ser o anticristo. O foco do livro de Apocalipse, além de Jesus, são os seus, os remidos e vencedores da besta, aqueles que lavaram e alvejaram as suas vestes no seu sangue e não o anticristo.

Conforme citei acima, os únicos livros que tratam sobre este tema, são Daniel e Tessalonicenses. Isto porque a revelação de Daniel trata-se de uma visão mais política sobre os reinos deste mundo e não sobre a revelação espiritual de Jesus e dos seus. Porém, apesar disso, vemos duas figuras nos capítulos treze, dezessete e por fim no capítulo vinte: a besta e o falso profeta. Porém, nenhum deles trata-se do anticristo. O anticristo é retratado na palavra como um chifre pequeno que se engradece no tempo da grande tribulação. Para identificá-lo será muito simples: ele será o messias dos judeus.

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