O que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados | Mateus 10:27

“O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados.” | Mateus 10:27

Leitura complementar: Mateus 10:24-33 | Mateus 5:14 | Apocalipse 12:11 | João 12:24 | Isaías 55:1-6.

Introdução

A meditação de hoje é sobre um versículo de Mateus de que gosto muito e que cito sempre que possível, porque, sendo um estudioso, muitas vezes tive dificuldades em pregar a Palavra na vida cotidiana. E este versículo sempre me ensinou como deveria ser o testemunho da Igreja ao mundo.

Além do mais, essa palavra, eirado, sempre me chamou a atenção, porque é uma palavra muito fora do padrão do nosso tempo e, por isso, o versículo sempre despertou em mim especial atenção.

Aqui não vou fazer nenhum tipo de mirabolância teológica e inventar vários significados que não estão no texto, porque o seu significado, apesar de não ser complexo, já traz, por si só, uma verdade muito profunda e prática para a vida cristã.

Antes de prosseguir, leia os textos Parábolas de Jesus e A parábola da Candeia. Se não compreendermos a razão pela qual Jesus falava por parábolas, provavelmente será difícil também entender por que Ele disse essas coisas aos discípulos, e cairemos novamente no campo das mirabolâncias para que o texto faça algum sentido.

A proclamação do Evangelho

A mensagem desse texto de Mateus é muito direta e se relaciona diretamente com a parábola da Candeia, que estudamos no Evangelho de Marcos. A ideia é, basicamente, que o testemunho do Evangelho foi dado à Igreja, porque Jesus falava por meio de parábolas.

Veja:

“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;” | Mateus 5:14

Jesus não diz: nós somos a luz do mundo, apesar de Ele ser a própria Luz. No sentido da pregação, Ele falou por meio de parábolas, para que os judeus não chegassem ao conhecimento da Verdade. Esse é um dos motivos da grande confusão que existe sobre Sua vida. Se Jesus não andasse exatamente como Ele andou, Sua obra não haveria sido completada da exata forma como foi, e eu e você não teríamos acesso ao Pai celestial.

Assim, o texto é uma ordem direta de Jesus aos discípulos, dizendo: pregai a Palavra e testemunhai estas coisas dos telhados, de forma pública. Gritai nas praças, nos mercados, enfim. Tornai públicas e notórias todas as coisas que estou anunciando a vocês. Esta é uma ordem de Jesus porque Ele mesmo não revelou tudo de forma aberta a todos durante Seu ministério, mas reservou aos discípulos certas explicações, preparando a manifestação posterior. Por isso, a Igreja pode e deve pregar, a cada dia e a cada momento, aquilo que nos foi concedido por meio dos Apóstolos do Cordeiro.

Cabe a nós apregoar a salvação de Deus, outrora velada aos homens, mas que foi revelada no último tempo para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha vida eterna. Dá-nos intrepidez para gritar dos telhados a Tua graça, meu Pai!

Não temer os homens

“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido.” | Mateus 10:24-26
“Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.” | Mateus 10:28

A preparação para este versículo, no próprio texto de Mateus, já nos revela grande parte do discurso de Jesus aos discípulos. Primeiro, Ele os prepara dizendo que os servos não são maiores que seu senhor e que, se chamaram Belzebu ao dono da casa, muito mais aos seus domésticos. Ou seja, se eles maltrataram e perseguiram Jesus até a morte, quanto mais os próprios discípulos seriam também perseguidos e mortos se pregassem abertamente as coisas concernentes ao Evangelho de Cristo.

Mas Ele continua: não os temais. Aqui está o centro desse prelúdio. É como se Jesus dissesse: vocês serão perseguidos como Eu, mas não tenham medo dos homens. Temam a Deus, porque é Ele quem pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. Ou seja, os homens podem nos maltratar, ferir e matar, mas Deus pode nos lançar no inferno de fogo. E é muito melhor ser morto e maltratado nesta vida, tendo a promessa de uma vida eterna e sem fim, do que, vivendo largamente nesta terra, ser lançado no inferno de sofrimento eternamente.

O testemunho diante dos homens

“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” | Mateus 10:32-33

Ao fim do trecho em que Jesus está dizendo estas coisas aos discípulos, Ele nos apresenta a necessidade do testemunho. Se O confessarmos diante dos homens, Ele também nos confessará diante do Pai celestial.

Primeiro, Jesus nos incita a apregoar publicamente o Evangelho; depois, ensina-nos que não devemos temer os homens, antes devemos temer a Deus. Agora, Ele nos diz abertamente: aquele que me confessar diante dos homens, eu testemunharei por ele.

E aqui notamos que o discurso de Jesus sai de um assunto que, aparentemente, era corriqueiro para algo realmente importante. Ele está tentando chamar a nossa atenção para a importância do testemunho público.

Muitas vezes, quando vemos aquele irmão humilde no centro da cidade com uma caixinha de som barata, que fica no sol o dia inteiro, é ridicularizado e maltratado pelos homens e, às vezes, até por outros irmãos, é ele quem está respondendo ao chamado de Jesus.

Enquanto a nossa teologia não nos tornar dispostos a pregar nos centros das cidades com uma caixa barata, abertos a ser desprezados e ridicularizados por Cristo, talvez nossa teologia não toque a profundidade do que Jesus ensinou neste versículo. Mas, se subirmos aos eirados, às praças e a todos os lugares para pregar o Cristo de Deus, certamente Ele também testemunhará por nós.

E, se você é aquele irmão humilde que vai pregar nos centros e nas praças, saiba que, às vezes, mesmo sem ter todo esse arcabouço teológico, você estava fazendo a coisa certa. E minha sugestão é que continue fazendo exatamente isso. As pessoas não serão tocadas se não houver quem pregue.

A recompensa da vitória

“Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” | Apocalipse 12:11

Uma das características dos vencedores que vemos em Apocalipse é exatamente o testemunho. Aqueles que forem arrebatados não temerão os homens; antes, se necessário, entregar-se-ão à morte pelo testemunho do Santo de Israel. A nossa recompensa é a vitória final sobre o maligno.

O testemunho é necessário porque, se Cristo é o Verbo e a Igreja é o Corpo de Cristo, logo precisamos verbalizar a salvação do Cordeiro. Coube a nós, que viemos após o nosso Senhor, judeus ou gentios, o santo trabalho de pregar o Evangelho da Salvação. Ainda que este trabalho pudesse ser realizado por outros seres, espirituais ou não, Deus concedeu esta grande honra a nós, os homens de pequena fé.

Portanto, não tema os homens. Não tema ser ridicularizado. Não há honra maior do que levar o conhecimento do Santo de Israel, da salvação que foi perseguida por toda a história do mundo. A maior Verdade e a maior revelação que existem estão contidas na Palavra, que é Cristo.

Concede ao Teu povo, nestes dias, a intrepidez necessária. Faz de nós pregadores da Tua Palavra, Senhor. Que em nós seja exaltado o Teu nome acima de todo nome. Amém.

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