O Cuidado Mútuo (1 Tessalonicenses 5:14)

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"Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos" 1 Tessalonicenses 5:14.

 Introdução 

Esta é uma palavra que tenta explicar um pouco sobre como é a relação viva entre os filhos de Deus e sobre qual deve ser o nosso proceder nestes casos, que costumam acontecer no dia a dia das congregações. Neste sentido é importante entendermos, com bastante clareza, qual é a realidade do povo de Deus, este grande exército santo que Deus está levantando. Este entendimento, por si só, explica tudo que Paulo nos ensina na carta aos Tessalonicenses.

 O exército de Deus 

Quando falamos sobre a verdadeira obra de Jesus Cristo, a Igreja Viva de Deus, temos que entender que somos todos guerreiros lutando, constantemente, em uma grande guerra. Um dos textos mais maravilhosos que trata sobre isso, e que demonstra a natureza poderosa deste povo, é o texto de Joel no capítulo 2, veja:

"Estrondeando como carros, vêm, saltando pelos cimos dos montes, crepitando como chamas de fogo que devoram o restolho, como um povo poderoso posto em ordem de combate. Diante deles, tremem os povos; todos os rostos empalidecem. Correm como valentes; como homens de guerra, sobem muros; e cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira" Joel 2:5-7.

Ao ler este texto temos que entender que existe sim uma ordem, ou uma 'fileira' como disse o texto, para que andemos de forma organizada e concorde. Devemos andar sempre para o mesmo lado, com o mesmo objetivo, para que a vitória nos seja dada. O grande poder deste povo é a unidade. Veja que o texto deixa claro que 'cada um vai no seu caminho e não se desvia da sua fileira'. O objetivos deles é estabelecido, claro e definitivo. Assim, eles correm para alcançar todas as coisas e ser vitoriosos em todas elas.

O texto deixa bem claro como é este povo poderoso e vencedor, que fará tudo conforme as ordens do nosso general e que tem uma ordem, organização e objetivos muito claros. Assim também é na Igreja. Devemos sempre correr todos para o mesmo lado, pensando sempre da mesma forma e cogitando dos mesmos objetivos e ideais, pois do contrário seremos alvos fáceis e nunca chegaremos a vitória de forma coletiva.

Infelizmente não é tão simples quando tratamos com pessoas. Ainda mais quando vivemos em uma época de grande individualismo e egoísmo, onde o conhecimento tem feito de nós pessoas orgulhosas e cheias de si mesmas (e isso eu digo entre os irmãos da Igreja). Para encaixar no todo da Igreja, antes de tudo, devemos fazer cair primeiro nosso amor próprio individual. Se amamos a nossa vida, certamente não temos espaço neste grande exército. Nosso amor maior é o Senhor e nosso objetivo é cumprir cabalmente as suas ordens.

Felizmente o Senhor, através do apóstolo Paulo, nos ensinou como devemos proceder em vários casos específicos, nesta difícil relação entre os irmãos da Igreja. Muitas vezes devemos ter cuidado, pois o diabo está atento para fazer cair os nossos irmãos. Estes pontos ensinados por Paulo mantém firme e viva a esperança da obra saudável do Senhor.

 O cuidado mútuo 

"Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. Evitai que alguém retribua a outrem mal por mal; pelo contrário, segui sempre o bem entre vós e para com todos" 1 Tessalonicenses 5:14-15.

Antes de tudo devemos entender o contexto da Igreja em Tessalônica. A antiga cidade de Tessalônica era uma cidade grega e capital da sua província. Ela era bastante grande e tinha cerca de 200.000 habitantes. Os cristãos em Tessalônica eram antigos pagãos e gentios em sua maioria, com isso podemos imaginar que eles tinham muitas dúvidas sobre temas como a volta de Cristo (tratado por Paulo nos capítulos 4 e 5). Apesar de casos como o de alguns que não queriam trabalhar, esta era uma Igreja fiel que se mantivera firme mesmo com as perseguições que sofria.

Por tudo isso Paulo parecia estar incumbido de lhes ensinar algumas coisas para que a ordem se mantivesse estável entre eles. Devemos lembrar que como pagãos gregos, e habitantes de uma grande cidade como era Tessalônica, muito provavelmente havia todo tipo de irmão com vários tipos de problemas e dificuldades. Talvez por isso Paulo tenha dado estas instruções.

Este texto é uma instrução prática sobre como devemos agir em determinadas situações. Devemos entender que as instruções não são direcionadas aos pastores ou a liderança, mas a todos (veja que Paulo se direciona aos "irmãos"). Todos nós devemos cuidar uns dos outros, pois somos todos membros uns dos outros.

● Admoesteis os insubmissos

A primeira situação que Paulo cita é em relação aos irmãos insubmissos. E o que seria essa insubmissão? A insubmissão é, literalmente, agir desordenadamente. Às vezes pensamos que insubmissão é algo muito ruim que fazemos ou alguma coisa muito negativa ou maligna, mas basta agirmos desordenadamente para nos achar sendo insubmissos.

Interessante perceber que a insubmissão é exatamente o contrário da ordem daqueles irmãos que lemos no texto de Joel. E é aí que mora o perigo. Se somos insubmissos, então somos desorganizados. Essa atitude, além de enfraquecer o todo, faz com que os outros soldados que estiverem sob sua influência passem a ser também insubmissos e desorganizados. Permitir que irmãos tenham essa atitude é assumir divisões, porfias e toda sorte de maledicências entre os irmãos. Esta é uma atitude que necessita de um cuidado eficiente e definitivo, a admoestação.

A admoestação nada mais é do que uma 'advertência benévola', uma exortação. Como precisamos ser exortados uns pelos outros! Hoje há uma grande dificuldade entre os irmãos, pois os pastores e líderes, por medo da reação dos irmãos, não costumam praticar a admoestação e a exortação. Isso apenas permite que muitos irmãos sejam insubmissos e desorganizados e enfraquece, ainda mais, a já enfraquecida igreja.

É necessário que haja admoestação, claro que com todo cuidado, benevolência e paciência. Sem essa atitude seremos guiados apenas por nós mesmos, o que é um grande perigo. Devemos confiar aos irmãos o pastoreio da nossa vida e isso passa por permitir que eu seja exortado e admoestado.

Como eu disse anteriormente, hoje em dia somos tão auto-suficientes, egoístas e orgulhosos, que dificilmente acetaremos a palavra de um irmão que nos exorte. Mas eu digo que devemos praticar a admoestação com todo cuidado e amor. Primeiro na minha vida, depois na do irmão. Para que todos sejamos cuidados e pastoreados.

● Consoleis os desanimados

A segunda situação comentada por Paulo é o caso dos irmãos desanimados. Estes irmãos já possuem alguma caminhada com o Senhor (normalmente já tem uma experiência real com Deus), mas estão desanimados com a vida cristã, com os irmãos da Igreja ou mesmo com alguma situação específica de suas vidas. Esse desanimo é tal que faz com que eles deixem de se reunir, se afastem propositalmente dos irmãos ou mesmo reunindo entre os irmãos estão desanimados com a Igreja e com o ministério. Pode ser que não se desviam, mas ficam desanimados e não tem ânimo para continuar a caminhar e a enfrentar os desafios da vida cristã. Isso também pode acontecer quando vemos as falhas nos irmãos que servem no ministério.

Não é muito difícil se lembrar de algum irmão que está nesta situação. Normalmente este desanimo tende a levar estes irmãos a perderem a força de enfrentar o mundo. É por isso que estes irmãos precisam ser consolados. Este consolo nada mais é do que um conforto, um pastoreio. É gastar tempo com este irmão, ouvi-lo, conversar com ele, tentar entender seus motivos e animá-lo novamente a continuar na caminhada com o Senhor.

Normalmente estes irmãos, se consolados a tempo, se animam novamente e são completamente restaurados. Mas se não são consolados eles podem cair em uma situação de inércia muito grande, se acostumar com a situação e permitir que o tempo passe. É importante percebermos os irmãos que precisam desse cuidado para que possamos restaurá-los. É muito importante a nossa atenção e a nossa diligência neste sentido.

● Ampareis os fracos

A terceira situação deste texto trata sobre os irmãos que estão fracos na fé. Estes irmãos podem não estar desanimados ou insubmissos, mas estão realmente fracos e não conseguem vencer o mundo ou as suas ofertas pecaminosas. Estes irmãos podem cair a qualquer momento ou podem já estar vivendo uma vida de pecado, pois não tem forças para vencer o pecado ou o mundo.

Quando alguém está fraco em uma guerra, ou foi enfraquecido por alguma situação da guerra, ele precisa de alguém que o ajude a caminhar. Quando algum irmão se encontra fraco e não consegue vencer o mundo e o pecado, então ele precisa de ajuda. A ajuda que eles precisam é o amparo, que nada mais é do que ajudar estes irmãos a permanecerem de pé. Precisamos dar o braço para que estes irmãos não venham a cair. Precisamos ser apoio para todos os irmãos que estiverem nesta situação.

Na vida com Deus, a regra é a vitória sobre o mundo e sobre o pecado, mas muitos irmãos estão vivendo ainda sob o domínio do pecado e do mundo. Estes irmãos precisam ser ajudados, amparados. Esse amparo pode se resumir em muitas coisas. Por exemplo, estes irmãos precisam ser acompanhados de perto. Precisamos estar sempre por perto para evitar que eles venham a cair no pecado. Precisamos também ser luz e abençoar estes irmãos com a palavra e também com repreensão, caso seja necessário. Eles precisam perceber a situação que se encontram, o que muitas vezes não acontece. Por isso, se temos liberdade com a pessoa, uma palavra firme pode ajudá-lo a permanecer de pé.

● Sejais longânimos para com todos

A última instrução deste texto objetiva todos as situações anteriores. O texto nos ensina a ser longânimos com todos. A longanimidade é uma característica profunda e maravilhosa. Uma pessoa que é longânime é bondosa, corajosa, paciente e sofredora. Ela suporta as adversidades e prossegue empenhada, apesar das dificuldades. Ser longânime não é ser apenas paciente, mas é ser também bondoso e amoroso. É aguardar com perseverança o momento que cada pode estar passando, mesmo que isso seja doloroso ou demorado. É entender que Deus está no controle de todas as coisas e permitir que Ele mesmo faça todas as coisas em seu tempo.

Isso nos indica que, apesar do texto nos ensinar algumas atitudes que devemos tomar em determinados casos, a longanimidade não pode ser esquecida ou negligenciada. Temos sim que ter uma atitude pró-ativa em todos estes casos, mas também devemos entender que haverá situação que deveremos ser longânimos, pois a pessoa pode não desejar ou não receber nossa palavra. Quando percebemos isto é momento de ser longânimo.

 Observações Finais 

Quando percebemos a simplicidade e a didática desta palavra podemos nos assustar em como não agimos desta forma em nossas igrejas e comunidades. Por isso algumas observações são necessárias para entendermos como estas coisas devem ser praticadas. Veja:

● O cuidado deve ser mútuo

Neste texto Paulo não especifica que os irmãos devem ser cuidados e os pastores devem cuidar. O cuidado na Igreja do Senhor deve ser mútuo. Isso significa que todos devem se preocupar com todos e todos devem pastorear todos os irmãos. É claro que irmãos com mais graça e sabedoria terão mais autoridade e discernimento para agir conforme a vontade de Deus, mas não há uma regra que defina essa diferença. E isso se explica, pois os próprios pastores também precisam ser cuidados e pastoreados.

● Somos todos ovelhas

Quando entendemos que todos devem pastorear todos, entendemos que somos todos ovelhas do mesmo pasto e que o Senhor é o nosso cabeça. Se respeitamos um irmão que serve entre os irmãos, o respeitamos devido a sua experiência ou seu ministério, pois certamente terá muito para ensinar. Mas devemos entender que ele também é ovelha. Os pastores também são ovelhas, os presbíteros também são ovelhas mesmo os maiores nomes da religião também são ovelhas. Somos todos ovelhas no pasto do Senhor e todos podem (e devem) ser cuidados e admoestados, cada um segundo a graça que Deus permitir.

● Comunicação

Acontece muito de alguém se perder e ninguém ficar sabendo ou conhecer a situação. Ainda mais quando falamos em igrejas enormes cheias de gente que nem mesmo costumam se conhecer. Neste sentido devemos dizer que é importante comunicar se temos alguma dificuldade. Ninguém irá adivinhar que você está fraco na fé se você não se comunicar com alguém.

Igualmente, devemos nos atentar para todos aqueles que buscam ajuda. Também acontece muito de irmãos buscarem ajuda dos pastores, e estes, sem tempo devido aos muitos irmãos da igreja, ou das muitas programações, esquecerem do cuidado devido a estes irmãos. Para estes pastores eu digo que cuidar dos irmãos que buscam nossa ajuda é o mínimo que deve ser feito. Se você se considera um pastor, saiba que o pastor dá a vida pela sua ovelha. Se você não está agindo assim você é qualquer coisa, senão um pastor.

● Humildade

A humildade é um ponto central. Sem humildade nada disso será possível e continuaremos vivendo uma mentira religiosa. A humildade é uma característica divina que deve existir no meio dos irmãos. A humildade deve existir tanto para aqueles que admoestam, amparam e consolam, quanto para aqueles que são admoestados, consolados e amparados. Sem a humildade as pessoas ficarão magoadas e a obra de Deus será interrompida, dando ainda mais espaço para os ardis e engano do diabo.

Para aqueles que são admoestados, consolados e amparados, seja humilde. Veja o que a palavra nos fala: "Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará" e ainda: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes" Tiago 4:6, 10. Certamente Ele há de recompensar a todos quanto se humilham perante Ele e que são tratados e corrigidos pela sua boa mão.

● Sabedoria ao falar

Todas estas coisas tratam com homens por isso devemos ser muito cuidadosos. Na verdade o cuidado deve ser extremado, principalmente quando falamos sobre as admoestações. Neste caso, não fale a não ser que você tenha certeza que foi Deus quem o designou para tal e lhe disse claramente que deveria falar. Uma admoestação fora da vontade de Deus pode significar a morte espiritual eterna de um irmão. Por outro lado, a admoestação de Deus, ainda que o irmão se rebelde e não aceite a palavra, redundará no cuidado de Deus para a vida do irmão.

Nos outros casos a situação é muito mais simples e podemos falar conforme nossa liberdade com a pessoa. Devemos ter discernimento para falar no momento certo para não causar desconforto aos nossos irmãos.

● Ser o exemplo

Por fim, nada disso fará sentido se em nossa vida eu mesmo não sou exemplo de fé e obras. Se minha vida não é exemplo e padrão, então ninguém poderá ouvir a minha palavra. Antes de tudo, sejamos exemplo entre o irmãos.

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