O nascimento de Jesus (Lucas 2)

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“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria (Quirino, Cyrenius, também exercia a supervisão sobre a Palestina). Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou -o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” Lucas 2:1-7.

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” Gálatas 4:4.

O tempo do nascimento de Jesus foi a época ideal aguardada desde o princípio do mundo para que Jesus viesse a terra. A expressão "plenitude do tempo" de Gálatas 4 nos mostra isso. O tempo estava cumprido sob todos os aspectos, uma vez que o império romano havia se instalado e estabelecido todas as rotas possíveis de comunicação no Oriente Médio. Um reino (Império Romano), uma língua (o grego) e a infra-estrutura (estradas e navegação) unia o império mundial no mar Mediterrâneo. Em nenhuma outra época anterior os apóstolos teriam sido capazes de disseminar com tanta rapidez o testemunho de Jesus.

“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se” Lucas 2:1.

A citação “... naqueles dias” é uma expressão tão geral que não informa nem a data do aniversário em si nem o ano do nascimento de nosso Redentor. Por outro lado, os dias de nascimento dos grandes homens daquele tempo como Augusto, Tibério e outros são informados da maneira mais exata possível pois as obras historiográficas informam essas datas. Parece que os evangelistas que escreveram acerca de Jesus não estavam nem um pouco preocupados com isso. Na realidade não visavam redigir uma biografia de Jesus ou editar uma obra historiográfica científica. O propósito não era comunicar conhecimento, mas despertar o povo de Deus para o nascimento do nosso Senhor o Messias que havia de vir ao mundo.

A inserção do nascimento de Jesus no contexto histórico do governo do imperador Augusto tem meramente a finalidade de mostrar que os mais poderosos desta terra não passam de instrumentos para a concretização da vontade de Deus!

Vemos também que ele convocou “... toda a população do império”, ou seja, todos que habitavam em terras do Império Romano. Este foi o primeiro recenseamento (vs.2), mas não se tratava de um censo em uma ocasião apenas, mas ele de fato estabeleceu um ciclo de recenseamento que deveria ocorrer a cada 14 anos. A palestina havia sido inicialmente excluída neste censo, uma vez que os judeus eram isentos de servir ao exército romano e este censo fora planejado basicamente para registrar jovens rapazes para o serviço militar, além é lógico de contar os cidadãos romanos e fiscalizar impostos. Portanto, o censo para todo o império tinha objetivo em si, entretanto, por trás de toda cena havia a mão do Senhor movendo a história para que Seu propósito fosse realizado. E, neste caso, o Seu propósito, que era o nascimento de Seu Filho em Belém só seria realizado se José e Maria viajassem para Belém para Seu nascimento. Sem nenhuma dúvida, o decreto do gentio César Augusto ocorreu pela vontade soberana de Deus. Se não houvesse este mover soberano do Senhor, certamente não haveria nenhum motivo para José sair com sua esposa em gestação adiantada, já aos nove meses e viajar cerca de 150 km. Vemos em tudo isto a mão soberana de Deus através da história. O resultado do recenseamento de César Augusto foi de 60 milhões de pessoas. Isso significava: um imenso reino, uma enorme potência.

“Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galileia da cidade de Nazaré, para a Judeia à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida” [Lc 2:3-5].

O decreto deste gentio resultou na obediência do judeu José, esposo de Maria. Ora, Augusto, governava mas de maneira única e absoluta era a mão poderosa de Deus que governava, precisamente pelo fato de que Jesus nasceu em Belém para cumprir a Escritura e para que se cumprisse a vontade de Deus. Podemos tomar esta palavra para nós. Vivemos em um momento caótico e desanimador da história, mas devemos crer que apesar de todo desmando dos governantes deste mundo o nosso Deus ainda está assentado sobre um alto e sublime trono e todas as coisas estão ao alcance de suas mãos. No momento certo ele levantará a Sua e cumprirá todas as coisas para Seu próprio louvor.

José foi a partir da Galileia (mais precisamente da cidade de Nazaré) para a Judeia. Tanto José quanto Maria eram descendentes de Davi e, portanto, foram à sua cidade na Judeia para serem registrados. Era uma difícil jornada de mais de 150 km por terreno montanhoso e a duração era de cinco dias de caminhada. Esta viagem foi particularmente difícil para Maria, que se encontrava no nono mês de gravidez e prestes a dar à luz. Para os numerosos migrantes do recenseamento, não apenas a precária condição das estradas representava um incomparável sofrimento, mas também o calor do dia, a poeira da estrada, a carência de água, a irregularidade da alimentação. O esforço da caminhada, a precariedade dos abrigos noturnos, tudo isso Maria teve de suportar em avançado estado de gravidez!

No tempo de Maria e José, Belém era uma localidade consideravelmente miserável. Setecentos anos antes o profeta Miquéias já designara Belém de pequena. Em “E tu, Belém, (na região de) Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, (mas) de ti me sairá o que há de reinar em Israel e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq. 5.2) Aquele jovem casal, conhecedores da palavra de Deus, certamente tinham consciência que era necessário que Jesus nascesse em Belém para que se cumprisse esta profecia de Miquéias.

Lucas não cita Belém como “local de cumprimento” de profecias do Antigo Testamento, simplesmente como a cidade de Davi. A cidade de Davi não é a cidade em que Davi governava, mas aquela na qual ele nascera (1Sm. 16.1, 17.12).

Depois de chegar a Belém é que o sofrimento começou de fato. Como a cidade era pequena e borbulhava com gente de toda parte, era absolutamente impossível conseguir um abrigo para a noite. Quantos lamentos e súplicas ardentes devem ter sido alçados ao céu para que Deus proporcionasse um abrigo ao jovem casal (que na verdade se encontrava em uma aflição ainda maior em vista da iminência do parto de Maria). Contudo, não houve resposta à insistente perece.

“... a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida”

Quando o anjo falou a José sobre a gravidez de Maria, ele “a recebeu por sua mulher”, a levou para sua casa. Todavia,eles não consumaram o casamento até o nascimento de Jesus (Mt. 1:25). Portanto, “tecnicamente”, eles ainda estavam noivos.

“Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” [Lc 2:6-7].

Nove meses se passaram desde o anúncio do Anjo a Maria em Nazaré e finalmente Cumpriu-se a promessa extraordinária e incompreensível feita a Maria em Lucas 1.31-37. O Eterno e Santo Filho de Deus, o próprio Deus, nasce em meio à humanidade pecadora.

De maneira simples e singela Lucas relata o episódio mais importante da história universal: o nascimento do Salvador. O texto bíblico salienta: “Maria deu à luz seu filho, o primogênito”. Esta palavra no grego é usada para primogênito é "prototókos.” A Igreja Católica Romana crê que a expressão “primogênito” significa o mesmo que filho único, isto é, que Maria não teve outros filhos posteriormente porque Maria não teria mantido relacionamento conjugal com José.

Diante disso, no entanto, cumpre constatar que a expressão “primogênito” (prototókos) deve ser usada de forma conscientemente contrária a “filho único” (monogenés). Também na presente passagem cabe dar todo o mérito à letra da Escritura, porque de acordo com o testemunho múltiplo dos evangelhos Jesus tinha vários irmãos (Leia Mt. 12:46; 13:55; Mc. 3:31; Lc. 8:19; Jo. 2:12; 7:3).

A palavra “primogênito” é pronunciadamente hebraica. “Filho primogênito” corresponde ao termo hebraico bekor, uma expressão de significado particularmente jurídico, porque o primogênito hebraico tinha de ser apresentado no templo de Jerusalém. Lucas, portanto, já agora nos prepara, pelo significado da palavra “primogênito”, para a apresentação no templo, um relato que somente Lucas faz entre os quatro evangelistas.

Lucas assinala com destaque especial que “não havia lugar para eles (autois) na hospedaria”. Essa forma de expressão é mais ponderada do que parece à primeira vista. Se Lucas tivesse apenas a intenção de afirmar que o abrigo de caravanas (a hospedaria em si) não era capaz de acolher mais ninguém, teria bastado que escrevesse: “Não havia mais lugar na hospedaria”. Mas, pelo fato de que a frase enfatiza que “para eles não havia lugar”, Lucas aponta para a condição peculiar em que se encontrava o casal, em vista da iminente hora de nascimento do menino Jesus.

“enfaixou-o e o deitou numa manjedoura”

Como ele não tinha um bercinho à sua espera, ele foi enfaixado e colocado no local de alimentação dos animais, ou seja no cocho. Podemos inferir então que Jesus nasceu num estábulo, apesar das Escrituras não dizer nada sobre isto. É impressionante essa grande renúncia a todos os recursos tão necessários para o nascimento de uma pequena vida humana, que na verdade merece ser colocada em um berço macio e quente, preparado por afetuosas e ágeis mãos maternas. Três vezes ocorre a menção da manjedoura: no nascimento, na fala do anjo, e finalmente quando os pastores encontram a criança (Lc. 2.7,12 e16).

Talvez possamos considerar a acomodação em uma manjedoura como sinal do imenso sacrifício redentor no Calvário, do qual todos os viventes hão de se beneficiar. Com a manjedoura, Israel, o povo eleito de Deus, deu as boas-vindas ao Messias. E com a cruz despediu-o da forma mais infame!

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