Estudo de Lucas - Maria visita sua prima Isabel


Estudo de Lucas - Capítulo 1
Maria visita sua prima Isabel

O anjo do Senhor desapareceu. Maria ficou em seu lugar, intimamente comovida, rica, plena, abrigando no coração, ou melhor, no ventre materno, o mistério dos mistérios, maior do que tudo o que o mundo jamais ouviu e viu.

Na grandiosa hora da visitação do anjo ela simplesmente recebeu palavra, se rendera e confiara ao agir de Deus. Desde então ela tinha certeza, pela fé, de que seria mãe. Pela transbordante emoção do coração ela anseia por comunhão com alguém e comunicar tudo o que acontecera. A Verdadeira vida de Deus em nós nos leva a ter desejo de comunhão com o irmão. Em casa, ela provavelmente estava sozinha guardando toda aquela riqueza em seu íntimo e, precisava portanto, de alguém para ter comunhão e compartilhar-lhe tudo. As pessoas em seu redor certamente não poderiam entendê-la! O mundo lá fora de forma alguma entenderia, e, se soubessem, certamente haveria além de mal-entendidos e equívocos, escárnio, zombaria ou até morte.

Ela não fora acometida de mudez, como Zacarias, mas na verdade sua situação não era muito melhor! O delicado sentimento daquela moça percebia a ameaça da perspectiva de previsível incompreensão e vergonha. Nessa situação não é bom estar sozinha. A solidão poderia até mesmo se tornar um perigo para ela, tão logo viessem tempos de tribulação. A comunhão com outro irmão é o único remédio para pessoas atribuladas. Já a solidão muitas vezes é um solo fértil para diversas plantas venenosas da dúvida e do desânimo.

Contudo, para onde iria, afinal? Como poderia falar com o seu noivo José? Como explicar o inexplicável? – Não! O melhor seria esperar o momento preparado pelo Senhor para comunicar ao seu futuro esposo e esperar o agir de Deus (mt. 1:18-25). Mas enquanto José não tomava conhecimento de tudo, acaso haveria um lugar melhor do que junto de Isabel, a quem, o anjo também havia anunciado o nascimento de um filho? Pois ela não era apenas sua parenta, uma mulher de idade e experiente nos caminhos de Deus, mas também uma querida “maternal irmã” de Maria, que também experimentou uma graça similar do Senhor, pois “igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo já o sexto mês...” (1:36). Assim, Ansiosamente volta-se, agora, às montanhas de Judá. Lá ela visa o compartilhar a benção, o diálogo e o fortalecimento de sua fé.

“Naqueles dias, dispondo-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá“ [Lc 1:39].

Quando lemos este verso geralmente imaginamos que, quando Maria decidiu visitar Isabel ela atravessou a rua ou andou alguns quarteirões. Mas a verdade é que ela viajou cerca de cinco dias. O esforço foi grande mas ela ansiava por comunhão e não importava que caminhasse durante cinco dias ou mais, não importava se era decoroso ou não pelos costumes daquele tempo, que uma moça realizasse uma viagem tão longa a pé. O intenso ímpeto do coração acelerou apressadamente os passos de Maria e superou todas as dúvidas e distância.

O que passava pela cabeça de Maria durante a viagem? Quem no mundo poderia imaginar o que lhe acontecera? A sua alma devia estar agitada, cheia de temores, mas também, repleta de gratidão e louvor! A este respeito, certo historiador escreveu: “Teria sido justo que se encomendasse para ela uma carruagem dourada, acompanhando-a com 4.000 cavalos e alardeando diante da carruagem: aqui viaja a mulher de todas as mulheres! No entanto, houve somente silêncio acerca de tudo isso. A pobre mocinha foi a pé por um caminho longo, não obstante sendo a mãe do Salvador Jesus. Não seria de admirar se todas as montanhas tivessem saltado e dançado de alegria diante dela.”

“Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel” [Lc 1:40].

As palavras “entrou” e “saudou” destacam o aspecto solene da hora. Maria entra na casa com a saudação habitual em Israel: “Paz seja contigo!”. Como eram distintas as duas que se saúdam! Maria, a jovem virgem, humilde, pouco considerada da desprezada Nazaré, enquanto Isabel, sua prima, era a idosa esposa de um nobre sacerdote.

“Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo” [Lc 1:41].

Nesse instante da saudação de Maria, Isabel ficou “cheia do Espírito Santo”, isto é, ela foi controlada pelo Espírito Santo, que sem dúvida a conduziu a tão notável expressão de louvor de Isabel.

“E Isabel exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que me chegou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criança estremeceu de alegria dentro de mim. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor” [Lc 1:42-45].

Muito antes de Maria relatar qualquer coisa acerca do que ocorrera e o motivo de sua viagem, Isabel reconhece, pelo Espírito, tudo o que acontecera. Isabel sabe que o fruto de seu ventre também será grande perante o Senhor, porém ela reconhece com alegria que o fruto do ventre de Maria deve ser exaltado acima de todos. Por essa razão, ela cumprimenta a Maria, como a mais bem aventura e mais abençoada dentre todos os humanos. Isabel, a experiente, venerável e idosa peregrina, curva-se humildemente diante de seu Senhor que ainda estava no ventre daquela serva jovem e humilde! Dizendo as seguintes palavras: “E de onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” Cheia de bendita submissão, ela concede a honra a Maria, como se a mãe de um rei tivesse chegado a um de seus mais ínfimos súditos.

Essa expressão não é um louvor a Maria, mas foi proferida em louvor à criança que ela levava em seu ventre. Foi uma profunda expressão da confiança de Isabel de que o Filho de Maria seria o Messias há tanto tempo esperado, Aquele a quem até mesmo Davi O chamou de “Senhor”. Foi extraordinária a compreensão que Isabel teve, ela saudou Maria com alegria, entendeu a reação da criança no seu próprio ventre e compreendeu a imensa importância da criança que Maria estava carregando. Claro que tudo isto deve ser atribuído á obra iluminadora do Espírito Santo.

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