Estudo de Lucas - Introdução


Estudo de Lucas
Introdução


Depois de algum tempo meditando os evangelhos presencialmente e passar por Mateus e Marcos, chegamos agora ao estudo do Evangelho de Lucas. Essa nova etapa dos estudos presenciais contarão com o compartilhar dos capítulos do estudo deste livro aqui no blog para que mais irmãos possam desfrutar conosco.

Começaremos os estudo com uma introdução ao evangelho de Lucas. É importante gastar um tempo lendo esta introdução pois ela traz, de maneira bem clara, o caráter e foco deste evangelho.


Título


Assim como acontece com os outros três Evangelhos, o título é derivado do seu autor. De acordo com a história, Lucas era gentio. O apóstolo Paulo parece confirmar isto, ao distinguir Lucas daqueles que eram “da circuncisão” (Cl.4:11,14). Isto faz de Lucas o único gentio que escreveu um livro da Escritura. Aliás, ele é responsável por uma porção significativa do Novo Testamento, havendo escrito tanto esse Evangelho quanto o livro de Atos dos apóstolos.


Pouco se sabe sobre Lucas, ele quase nunca inclui detalhes de sua vida pessoal e nada é sabido em definitivo a respeito do seu passado ou da sua conversão. Alguns historiadores o identificam como nativo de Antioquia (o que pode explicar o fato de tantas partes do livro de Atos se concentrarem em Antioquia, cf. At. 11:19-27, 13:1-3; 14:26, 15:22-23; 23 30 – 35; 18:22-23). Lucas foi companheiro frequente do apóstolo Paulo; pelo menos no período que vai da época da visão da Macedônia de Paulo (At. 16:9-10) até o martírio do apóstolo.

Autor e Data

O Evangelho de Lucas e o Livro de Atos foram claramente escritos por Lucas. Estes dois livros parecem terem sido escritos praticamente ao mesmo tempo – Lucas primeiro e Atos depois. Assim combinados, eles compõem um relato em dois volumes endereçado a “Teófilo” que literalmente é “o que ama a Deus” (At.1:3; At.1:1). Este nome pode ser um apelido ou um pseudônimo, e é acompanhado por uma referência formal: “excelentíssimo”. É bem provável que Teófilo era um bem conhecido romano, talvez um dos que era “da casa de César” e que se convertera a Cristo (Fp.4:22).

É quase certo, porém, que Lucas queria atingir um público mais amplo com a sua obra do que apenas esse homem. As dedicatórias presente no início de Lucas e Atos são semelhantes às dedicatórias que vemos em livros atuais. Não parecem ser uma saudação ao destinatário de uma epístola.

Lucas declarou expressamente que o conhecimento dos fatos registrados no seu Evangelho vieram de relatos de pessoas fidedignas que haviam testemunhado pessoalmente os acontecimentos (1:1-2) deixando fortes evidencias de que ele mesmo não foi uma testemunha ocular. A partir do prólogo fica claro que o seu objetivo era apresentar um relato ordenado dos acontecimentos da vida de Jesus. Mas isso não significa que ele seguiu uma ordem cronológica estrita em todo o seu registro.

Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso por lá (At 27.1) ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em (1.1-4). Se for este o caso, então o Evangelho de Lucas pode ser datado por volta de 59-60 dC.

Conteúdo

Uma característica distinta do Evangelho de Lucas é sua ênfase na universalidade da mensagem de Cristo. Do cântico de Simeão, louvando Jesus como “luz... Para as nações” (2.32) ao comissionamento do Senhor ressuscitado para que se “pregasse em todas as nações” (24.47), Lucas realça o fato de que Jesus não era apenas o Libertador dos judeus, mas também o Salvador de todo o mundo.

A fim de sustentar esse tema, ele omite muito material que é estritamente de caráter judaico. Como exemplo ele não inclui o pronunciamento de condenação de Jesus aos escribas e fariseus (Mt. 23), nem mesmo a discussão sobre a tradição judaica (Mt. 15.1-20; Mc 7.1-23). Lucas também exclui os ensinamentos de Jesus no Sermão da Montanha que tratam diretamente do seu relacionamento com a lei (Mt.5.21-48; 6.1-8, 16-18). Em seu registro ele também omite as instruções de Jesus aos Doze para se absterem de ministrar aos gentios e samaritanos (Mt.10:5).

Por outro lado, Lucas inclui muitas características que demonstram a universalidade de Cristo. Ele enquadra o nascimento de Jesus em um contexto romano (2.1-2; 3.1), mostrando que o que ele registra tem significado para todas as pessoas. Ele enfatiza, ainda, as raízes judaicas do Senhor Jesus. De todos os escritores dos Evangelhos só ele registra a circuncisão e dedicação de Jesus (2.21-24), bem como Sua visita ao Templo quando menino (2.41-52). Somente ele relata o nascimento e a infância de Jesus no contexto de judeus piedosos como Simeão, Ana, Zacarias e Isabel, que estavam entre os fiéis restantes “esperando a consolação de Israel” (2.25).

Por todo seu Evangelho, Lucas deixa claro que Jesus é o cumprimento das profecias do Antigo Testamento relacionados à salvação. Um versículo chave do evangelho deste é o 19:10, que declara que Jesus 
veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Ao apresentar Jesus como Salvador de todos os tipos de pessoas, Lucas inclui material não encontrado nos outros evangelhos, como o relato do fariseu e da pecadora (7:36-50); a parábola do fariseu e o publicano (18:9-14); a história de Zaqueu (19:1-10); e o perdão do ladrão na cruz (23:39-43).

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